Lerner ameaça processar Stédile
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sexta-feira, 05 de maio de 2000
Dimitri do Valle De Curitiba 
Declarações ao jornal Folha de São Paulo na edição de quinta-feira vão custar um processo judicial a um dos líderes nacionais do MST, João Pedro Stédile. O governador Jaime Lerner comunicou ontem que vai processá-lo por discriminação racial. Stédile afirmou ao jornal paulista que o governador deveria sentir vergonha, porque eu acredito que ele seja o úncio judeu no mundo que ainda adota métodos nazistas no governo. Lerner, filho de judeus poloneses, devolveu no mesmo tom. A declaração do sr. Stédile é uma coisa tão baixa, tão criminosa quanto o ato daqueles responsáveis por este crime contra a humanidade, que foi o Holocausto, que provocou a morte de 6 milhões de judeus. Stédile foi procurado em sua casa, em São Paulo, para falar sobre o assunto, mas não foi localizado.
Ontem, em Maringá, o governador classificou de conversa boba os boatos de que o secretário de Segurança Pública do Estado, José Tavares, estaria por um fio no cargo, devido às repressões contra as últimas manifestações realizadas na região de Curitiba. Ele elogiou a atuação do secretário. Vocês não podem esquecer que ele foi um constituinte e é um homem que tem respeito na área dos direitos humanos.
Lerner justificou a ação repressiva contra os sem-terra no início da semana, afirmando que os manifestantes queriam baderna. O respeito e a ordem vão prevalecer sempre em nosso Estado. Disso vocês podem ter certeza, disse. Sobre as informações de que o autor dos disparos contra o agricultor Antônio Tavares Pereira, teria sido um policial, Lerner disse que pediu ao Ouvidor Geral da Polícia o acompanhamento do caso para que apresente à sociedade o que realmente aconteceu. Assim que nós tivermos a conclusão do caso vamos poder tomar as medidas, disse.
A ação da polícia contra o MST foi firme e correta. A afirmação faz parte de um comunicado oficial divulgado ontem pela Federação da Agricultura do Paraná (Fetaep). O presidente da entidade, Ágide Meneguette, elogiou a ação policial que impediu a entrada de sem-terra em Curitiba. O presidente da Fetaep chamou os sem terras de desordeiros, dizendo que os integrantes do movimento não estão interessados na reforma agrária, mais sim o desenvolvimento de uma política incompatível com o regime democrático. (Colaborou Lucinéia Parra, de Maringá)


