Declarações ao jornal Folha de São Paulo na edição de quinta-feira vão custar um processo judicial a um dos líderes nacionais do MST, João Pedro Stédile. O governador Jaime Lerner comunicou ontem que vai processá-lo por discriminação racial. Stédile afirmou ao jornal paulista que ‘‘o governador deveria sentir vergonha, porque eu acredito que ele seja o úncio judeu no mundo que ainda adota métodos nazistas no governo’’. Lerner, filho de judeus poloneses, devolveu no mesmo tom. ‘‘A declaração do sr. Stédile é uma coisa tão baixa, tão criminosa quanto o ato daqueles responsáveis por este crime contra a humanidade, que foi o Holocausto, que provocou a morte de 6 milhões de judeus’’. Stédile foi procurado em sua casa, em São Paulo, para falar sobre o assunto, mas não foi localizado.
Ontem, em Maringá, o governador classificou de ‘‘conversa boba’’ os boatos de que o secretário de Segurança Pública do Estado, José Tavares, estaria ‘‘por um fio’’ no cargo, devido às repressões contra as últimas manifestações realizadas na região de Curitiba. Ele elogiou a atuação do secretário. ‘‘Vocês não podem esquecer que ele foi um constituinte e é um homem que tem respeito na área dos direitos humanos’’.
Lerner justificou a ação repressiva contra os sem-terra no início da semana, afirmando que os manifestantes queriam baderna. ‘‘O respeito e a ordem vão prevalecer sempre em nosso Estado. Disso vocês podem ter certeza’’, disse. Sobre as informações de que o autor dos disparos contra o agricultor Antônio Tavares Pereira, teria sido um policial, Lerner disse que pediu ao Ouvidor Geral da Polícia o acompanhamento do caso para que apresente à sociedade o que realmente aconteceu. ‘‘Assim que nós tivermos a conclusão do caso vamos poder tomar as medidas’’, disse.
‘‘A ação da polícia contra o MST foi firme e correta’’. A afirmação faz parte de um comunicado oficial divulgado ontem pela Federação da Agricultura do Paraná (Fetaep). O presidente da entidade, Ágide Meneguette, elogiou a ação policial que impediu a entrada de sem-terra em Curitiba. O presidente da Fetaep chamou os sem terras de ‘‘desordeiros’’, dizendo que os integrantes do movimento não estão interessados na reforma agrária, ‘‘mais sim o desenvolvimento de uma política incompatível com o regime democrático’’. (Colaborou Lucinéia Parra, de Maringá)

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