O governador Jaime Lerner (PFL) admitiu ontem, em Arapongas (37 km a oeste de Londrina), que o Paraná vive um clima de violência no campo. Foi a primeira vez que Lerner admitiu os confrontos desde o assassinato de Eduardo Anghinoni há cerca de 15 dias.
Lerner disse que a violência no campo existe ‘‘dos dois lados’’. Segundo ele, cabe ao Estado mediar os conflitos. ‘‘Nossa postura tem sido sempre de respeitar os direitos humanos’’, afirmou. Lerner disse que gostaria que a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, que esteve ontem em Curitiba, ouvisse os dois lados ‘‘a fim de ajudar nesta mediação’’. Ele afirmou que o Paraná não tem nada a esconder.
Ontem, Lerner disse que a descentralização da reforma agrária pode abrir condições para a redução dos conflitos. Ele afirmou, porém, que a descentralização depende da liberação de recursos do governo federal para o assentamento dos sem-terra. O governador espera a liberação da verba federal nas próximas semanas.
O governador voltou a garantir que vai reintegrar a posse de 45 áreas invadidas no Paraná brevemente.
Um manifesto para cobrar do governo o cumprimento das reintegrações de posse de 45 áreas ocupadas no Paraná com mandados já expedidos pela Justiça, tem mais de 16 mil assinaturas (número parcial). A coleta de assinaturas foi feita durante a 39ª Exposição de Londrina. O abaixo-assinado será entregue a Lerner.
Uma das organizadoras do manifesto, a proprietária Lurdes Pagano, disse ontem à Folha que aderiram ao abaixo-assinado não apenas produtores rurais, ‘‘mas toda a comunidade’’. ‘‘ Queremos mostrar ao governo que a comunidade é contrária à atitude dele de não tomar iniciativa’’, explicou.
Segundo ela, o governo dá mau exemplo ao descumprir as ordens judiciais de reintegração. ‘‘Se o governo não respeita as leis, ninguém vai respeitá-las e o País só vai para frente com respeito’’. Ela disse que pretende entregar o abaixo-assinado pessoalmente ao governador.
Segundo a proprietária, o governador lhe prometeu, no dia 8, durante a abertura da Exposição, que cumprirá as reintegrações.
Lurdes Pagano teve sua propriedade invadida no dia 29 de março. Segundo ela, a fazenda Transval, em Querência do Norte, é produtiva, tem 580 hectares cultivados com milho e soja, e é base de dois experimentos do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). Ela conseguiu reintegração de posse poucos dias após a ocupação e não tem idéia de quando poderá retomar a fazenda, que tem há 48 anos.

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