O engenheiro mecânico da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFGRS), Luiz Carlos Gertz, desenvolveu para sua tese de doutorado na área de biomecânica outro método de diagnóstico das lesões por esforços repetitivos, popularmente conhecidas como LER.
O estudo, iniciado em 1995, teve o apoio da Faculdade de Educação Física da Universidade e para sua elaboração foram utilizados eletromiógrafo, dinamômetro e peckperformance. O eletromiógrafo é um aparelho que transforma a atividade muscular em sinal elétrico. O dinamômetro serve para medir a força aplicada à tecla do computador. É uma espécie de balança e foi criado pelo próprio Gertz. O peckperformance é um equipamento de filmagem que transforma a imagem das mãos em modelos matemáticos.
PrevençãoPor meio do peckperformance foi possível concluir que alguns acessórios usados na prevenção das lesões, como o apoio de punho e de braço, a tala e o teclado ergonômico, utilizados separadamente ou em conjunto, diminuem a força imprimida pelo digitador.
O apoio de punho é reprovável, pois a pessoa perde a mobilidade na digitação. Contudo, se usado durante os intervalos, esse acessório é muito bom para quem tem problemas no ombro e no músculo trapézio. O teclado ergonômico, que apresenta duas inclinações, é um bom equipamento para prevenção da LER. A primeira inclinação do teclado, que forma uma onda, não é muito importante, mas a segunda, que posiciona os teclados em diagonal e diminui o ângulo que forma com o punho, é essencial.’’
‘‘O teclado deve ficar em uma altura que deixe o braço paralelo ao chão; o cotovelo deve ficar na altura das teclas. A altura da cadeira varia com a estatura da pessoa. Normalmente um ângulo de 90 graus entre a perna e a coxa é ideal, mas se a pessoa permanecer muito tempo em uma única posição, deve variar a altura da cadeira. O monitor deve estar entre 50 e 80 cm dos olhos e a parte superior da tela deve ficar no máximo na altura dos olhos.’’
AdequaçãoO pesquisador acredita que é mais oneroso para as empresas o gasto com a cura da LER, do que com a prevenção. ‘‘O custo social da LER envolve fatores como o afastamento do trabalhador de suas funções por repetidas vezes.’’ Ele é a favor de uma mudança no regime de trabalho das empresas. ‘‘A jornada diária para digitadores deve ser de seis horas, com dez minutos de intervalo para cada 50 minutos trabalhados, e os móveis devem ser adequados ergonomicamente ao funcionário.’’
A princípio, a pesquisa tinha como objeto de estudo digitadores profissionais com e sem lesões. Devido a dificuldade em encontrar um grupo sem lesões, escolheu-se então, como objeto, pessoas que tivessem a simples habilidade para digitar. Geralmente as pessoas mais acometidas por LER são os bancários, digitadores, telefonistas, caixas e operários de linhas de montagem. São profissionais que têm em sua rotina um trabalho repetitivo, em que sofrem pressão, cobrança de produtividade, monotonia na execução das tarefas e geralmente com local de trabalho com mobiliário inadequado.
As doenças mais comuns identificadas como LER são tendinite, tenossinovite, neurites e síndromes compressivas. Elas atingem principalmente os membros superiores, em partes como punho, cotovelo, ombro e pescoço e podem levar à incapacidade caso o trabalhador, após o tratamento, volte a exercer a mesma atividade.
PrevençãoPara evitar a LER, Gertz sugere uma lista de medidas que devem ser tomadas: o ângulo formado pelas pernas e o tronco deve ser de 110 graus; deve-se evitar a mesma postura por muito tempo; a regulagem da cadeira utilizada deve ser alterada periodicamente durante o turno de trabalho; o desvio dos punhos deve ser minimizado; ao digitar, deve-se evitar apoiar as mãos; o ato de digitar deve ser suave, e também é recomendável sentir prazer em trabalhar.
A cadeira para digitadordeve ser estofada com no mínimo 5 cm de espessura e densidade de aproximadamente 55 kg/m2, ter inclinação de 100 a 110% entre assento e encosto; regulagem de altura e de inclinação do acento com fácil localização e manejo; bordas anterior do assento arredondadas; tecido absorvente, apoio de braço com regulagem de altura que não prejudique à aproximação à mesa; atrito nos rodízios e na coluna que suporta o assento, não ter folga na coluna; assento levemente inclinado para trás e plano; encosto acompanhando as curvas naturais da coluna com regulagem de altura e afastamento, de preferência com grau de liberdade para o ângulo do encosto.

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