Rio, 23 (AE) - O Instituto Oswaldo Cruz confirmou que cinco pessoas morreram no Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP) com hemorragia pulmonar causada por leptospirose, forma rara da doença em que o doente morre asfixiado no próprio sangue. Eles eram moradores de Niterói e São Gonçalo (municípios da Grande Rio) e morreram entre dezembro de 1998 e maio desse ano. "Há uma mudança para pior da doença, que está assumindo um caráter ameaçador", afirmou o infectologista João José Pereira da Silva, médico da divisão de Doenças Infecciosas e Parasitárias (DIP) do HUAP.
Nos últimos sete meses, 17 pacientes estiveram internados no DIP do Antônio Pedro com leptospirose, sete deles com a forma pulmonar grave da leptospirose (FPGL). Desses, apenas dois sobreviveram. A rapidez com que o doente morre, questão de horas, dificulta o diagnóstico. "Por falta de conhecimento, o médico acaba tratando a hemorragia por leptospirose como um resfriado mais grave", disse o chefe do DIP, o infectologista Marcos Dalston.
A leptospirose é adquirida através do contato com urina e fezes dos ratos e os sintomas mais comuns são icterícia e insuficiência renal. A partir do início dos anos 80, alguns médicos passaram a relatar casos da doença em que o paciente sofria de hemorragia pulmonar, com lesão renal mínima. "Tememos que isso se inverta e que a doença passe a ser predominantemente hemorrágica", disse Silva. "É preciso estudar melhor a FPGL para que a cura seja mais eficiente".
O Hospital Universitário Antônio Pedro atende moradores de São Gonçalo e Niterói. A maioria dos doentes trabalhava na construção civil ou teve contato com água suja. Não há epidemia de leptospirose nas duas cidades. Em Niterói, a Fundação Municipal de Saúde registrou 12 casos, com duas mortes provocadas pela doença em 1998 e apenas uma notificação neste ano. São Gonçalo teve 10 registros de leptospirose em 1999.

mockup