Leptospirose ameaça vítimas das chuvas
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terça-feira, 28 de janeiro de 1997
Elvira Fantin Sucursal de Curitiba 
Quinze pessoas estão em observação em Adrianópolis (a 133 quilômetros de Curitiba) com suspeita de leptospirose devido às chuvas constantes dos seis últimos dias, que alagaram casas e deixaram duas mil pessoas desabrigadas. São nove adultos e seis crianças, segundo o prefeito José Carlos dos Santos Sukita. Os casos ainda não são comprovados, mas os sintomas indicam a possibilidade de leptospirose.
Os doentes têm febre e diarréia, sintomas típicos da doença provocada pela urina do rato, que se dissemina pelo lixo quando há enchentes. As pessoas estão sendo atendidas no posto de saúde do município. O único hospital da cidade está desativado, mas o prefeito acredita que poderá tratar os doentes no próprio município sem precisar deslocá-los a outros centros.
Estamos recebendo remédios e vacinas do governo do Estado e conseguimos atender as pessoas por aqui mesmo, disse o prefeito. Sukita busca agora recursos para recuperar estradas e pontes que caíram em consequência das chuvas. O prefeito estima prejuízo de pelo menos R$ 700 mil. O acesso ao município foi recuperado ontem, depois da terceira queda de barreira que aconteceu no domingo, na altura do quilômetro 15 da BR-476, a 15 quilômetros de Adrianópolis. Mesmo assim, o tráfego é liberado apenas para veículos leves e em meia pista.
Em todo o Paraná há
1.156 desabrigados
e 12 municípios em
estado de emergência
Em todo o Paraná, o número de desabrigados ontem era de 1.156, segundo informações da Defesa Civil. Doze municípios permanecem em estado de emergência: Jaguariaíva, Jataizinho, Tomazina, Adrianópolis, Piraí do Sul, Castro, Porto Rico, Querência do Norte, São Pedro do Paraná, Santa Cruz do Monte Castelo, Icaraíma e Vila Alta.
O total de desabrigados chegou a 3.360 na última quinta-feira em todo o Estado. Parte das famílias, no entanto, já conseguiu voltar às suas casas com a interrupção das chuvas. A Defesa Civil calcula que 10% das vítimas tiveram perda total e não poderão voltar às suas residências, que acabaram sendo carregadas pelas enxurradas. Estas pessoas terão que receber ajuda especial do governo e dos municípios. informou Luís Antonio Borges Vieira, coordenador estadual da Defesa Civil.
O Rio Paraná continuou subindo ontem, atingindo 5,25 metros no ponto mais alto, na altura do município de Porto Rico. O nível normal do rio é de 1,50 metro, conforme informou a Defesa Civil. Homens do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil continuam retirando as famílias que vivem às margens do rio e que estão com suas casas alagadas em consequência da cheia. No município de Guaíra (oeste do Estado) há cerca de 60 pessoas desabrigadas. Ribeira - Uma pedra de quatro metros de diâmetro, pesando cerca de 20 toneladas, rolou morro abaixo e atingiu a avenida principal da cidade de Ribeira, no Vale do Ribeira (São Paulo), na madrugada de ontem. A pedra parou a menos de três metros do prédio da Delegacia de Polícia e de várias casas. O deslizamento ocorreu por causa das chuvas que voltaram a cair anteontem na região do Alto Ribeira. A cidade continua isolada.


