Leonardo Boff lança 2ª edição do livro "Ética da Vida", em Brasília
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segunda-feira, 03 de abril de 2000
Por Carolina Brígido, especial para a AE 
Brasília, 04 (AE) - O professor de teologia, filosofia, espiritualidade e ecologia Leonardo Boff lança amanhã (05), em Brasília, a 2ª edição do livro "Ética da Vida". A obra avalia o caminho distante da solidariedade que o homem escolheu para os dias atuais, bem como propõe soluções simples para a situação limite em que a sociedade se encontra. O livro, junto com "A Voz do Arco-Íris" e "Etos Mundial", compõe a trilogia do autor a ser apresentada no fim deste mês, na Bienal do Livro de São Paulo.
"Cada um fazendo com amor e consciência a sua parte; cada um dando a sua colaboração aqui, agora, neste exato momento
para a construção de um mundo melhor". Eis a ética vital de Boff. Para o escritor, a solidariedade e a coletividade são as chaves da continuidade da vida na Terra porque levariam o ser humano a preocupar-se com a natureza, o próximo e sua própria inserção no planeta. "Meu livro vem da urgência de repensar a ecologia, a ética e o consumo dos recursos naturais".
Leonardo Boff acredita que a humanidade passou por um intenso processo de dessacralização do mundo. Para ele, os avanços técnicos e científicos dos últimos 4 séculos foram responsáveis pela perda de respeito do homem pelo sagrado - e, principalmente, pela natureza. Para reparar o mal, Boff acredita no poder das religiões. "A religião deixa a humanidade habituada a ter respeito diante de todas as coisas".
No entanto, o escritor critica a Igreja sob outros aspectos. "A mentalidade consumista é o ópio das pessoas, atualmente", explica Boff. "Consome-se de tudo", que exemplifica o consumismo na religiosidade com o caso do Padre Marcelo Rossi. "Tudo virou comércio, com tudo se pode ganhar dinheiro". Ele acredita que apresentadores de TV, como Xuxa e Ratinho, são os maiores aliciadores da sociedade, pois educam as crianças para o sistema competitivo do capitalismo - a origem de todo o individualismo no qual estamos submersos, segundo o escritor.


