Lenta normalização do trabalho na Colômbia
Bogotá, 01 (AE-ANSA) - Uma paulatina retomada das atividades trabalhistas começou hoje (01) na Colômbia apesar do chamado para prolongar o protesto formulado pelos líderes da greve cívica que paralisou ontem o país em uma grande proporção.
Hoje à tarde dirigentes do protesto se reuniram com uma comissão ministerial para examinar os documentos de 41 petições dirigidas pelos grevistas ao presidente Andrés Pastrana.
O governo já aceitou revisar um projeto para "flexibilizar" as leis trabalhistas e atenuar as obrigações legais dos empregadores com seus funcionários, assim como discutir medidas para reduzir o desemprego.
Mesmo assim, os organizadores da greve pediram ao governo que não adote represálias contra os participantes do protesto e que liberte mais de 170 detidos.
O secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Héctor Fajardo Abril, um dos líderes da greve, antecipou uma possível "suspensão temporal" da greve, apoiada por sindicatos e outras entidades sociais para reclamar uma nova política sócio-econômica.
Líderes grevistas admitiram que os protestos perderam força hoje, mas afirmaram que caminhoneiros, camponeses e indígenas mantinham paralisadas vastas áreas rurais do sul, nordeste e centro do país.
Um dos líderes do movimento, Julio Roberto Gómez - secretário-geral da Confederação Geral de Trabalhadores Democráticos (CGTD) - disse que foi "um êxito" o protesto de ontem, mas admitiu seu enfraquecimento hoje.
No entanto, hoje continuavam em greve escolas e universidades estatais - cuja Associação Colombiana de Educadores (FECODE) faz parte do comando grevista - e o protesto conseguia importantes níveis de adesão em alguns hospitais, onde eram atendidas apenas as emergências.
Bancos e entidades financeiras cumpriam o horário habitual, assim como supermercados e outros centros comerciais que ontem restringiram seus serviços pela falta de funcionários.
O ministro do Interior, Néstor Martínez, afirmou que foram controlados na noite de ontem para hoje os distúrbios em Soacha, perto de Bogotá, e Ciudad Bolívar, no setor sudeste da capital - onde, no primeiro dia da greve, ocorreram saques, incêndios de veículos e confrontos entre trabalhadores e policiais. Nos distúrbios, uma menina foi morta por uma bala perdida e outras 25 pessoas ficaram feridas. Cerca de 300 manifestantes foram detidos.
A greve foi lançada por 1,5 milhão de trabalhadores sindicalizados e milhares de camponeses em protesto contra as políticas trabalhista e econômica do governo. A paralisação, apoiada por até 20% da força de trabalho urbana, é uma das mais sérias desde que o presidente Andrés Pastrana assumiu o cargo, há um ano. Entre as 41 exigências dos sindicatos estão a moratória dos juros da dívida externa e a revisão de severas medidas de ajuste fiscal.
Farc - Em Anchicaya, uma coluna das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) manteve a ocupação de uma hidrelétrica, retendo cerca de cem funcionários no local. A polícia garantiu, porém, que os funcionários não eram reféns da guerrilha e estavam sendo autorizados a trabalhar normalmente.
Um comandante rebelde que se identificou apenas como JJ afirmou que a ocupação, iniciada terça-feira, prosseguirá enquanto durar a greve. As Farc exigem que a empresa Energia del Pacífico (Epsa), encarregada da usina, reduza as tarifas de eletricidade em 30% e faça obras sociais na região.
O grupo guerrilheiro sofreu ainda uma séria derrota ao tentar ocupar a cidade de Alto Corosal, na província petrolífera de Casanare. O Exército reprimiu o ataque e anunciou ter matado cerca de 30 rebeldes, na pior batalha desde julho - quando 300 membros das Farc foram mortos.





