Lenha queimada favorece câncer
Vivian de Albuquerque
A fumaça dos fogões à lenha pode aumentar em até duas vezes e meia as chances de desenvolvimento de câncer bucal. A descoberta, resultado de uma longa pesquisa, foi divulgada ontem pelo Hospital Erasto Gaertner, de Curitiba, centro de referência no tratamento de câncer no Paraná. Segundo os especialistas a queima da lenha pelos fogões é capaz de emitir até 400 substâncias tóxicas. Muitas delas são cancerígenas, principalmente associadas ao fumo, o álcool e o chimarrão.
Que o fumo e o álcool provocam câncer, todo mundo já sabia, mas o fogão à lenha foi uma novidade paranaense, comenta o chefe do Serviço de Cabeça e Pescoço do hospital, Benedito Valdecir de Oliveira. Segundo ele, a pesquisa teve início ainda em 1998, quando o câncer de boca foi a segunda neoplasia mais registrada no hospital, superada apenas pelo câncer de pele.
Os dados demostraram que até 80% dos casos eram de pacientes em estados 3 e 4, considerados os mais graves. O problema é que destes 80%, nós só conseguimos curar 52%, ou seja 48% dos pacientes chegaram aqui procurando muito tarde pelo tratamento, explica Oliveira.
Para fazer a pesquisa, o Hospital Erasto Gaertner, em conjunto com pesquisadores vindos do Japão, instalou nas casas de alguns pacientes, provenientes principalmente da área rural, sensores usados nas ruas e fábricas japonesas para medir a emissão de fumaça pelos fogões.
Progressos Uma nova série de trabalhos está em andamento no hospital. Entre eles o que estuda uma forma menos agressiva de tratar o paciente com câncer bucal. Já feita em 21 doentes, trata-se de um novo tipo de operação que retira apenas os linfonodos afetados - a conhecida íngua - e não mais toda a rede de defesa localizada no pescoço do paciente. Assim, os linfonodos bons são preservados.
Pelos trabalhos desenvolvidos com pacientes de câncer bucal, o Erasto Gaertner obprêmios no Congresso Sul-Brasileiro de Cabeça e Pescoço e no Congresso Brasileiro de Câncer Bucal.





