Lenda e maldição perseguem clã Kennedy
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sexta-feira, 16 de julho de 1999
Por Paulo Sotero, correspondente 
Washington, 17 (AE) - A possível morte prematura de John F. Kennedy Jr., de 38 anos, e de sua mulher, Carolyn Bessette, deverá encerrar a saga de uma família que marcou a vida política dos Estados Unidos nesta metade de século com seus triunfos e estoicismo diante de incontáveis tragédias. Único filho homem do ex-presidente John F. Kennedy, não deixa herdeiros. Seu desaparecimento frustrará as esperanças dos que viam no bonito e articulado advogado e jornalista o melhor candidato para preservar a aura do clã, criada por seu pai, ingressando na política. Com a proximidade da aposentadoria do patriarca da família, o senador Edward Kennedy, de 67 anos, o futuro político da dinastia é incerto.
Mas as circunstâncias do desaparecimento do filho do ex-presidente, que foi morto a tiros em Dallas em 1963, contribuirão para manter viva a lenda dos Kennedy e a maldição que parece persegui-los. JFK Jr. e sua mulher morreram a caminho daquele que deveria ser, talvez, o derradeiro encontro festivo do clã - o casamento de Rory, a filha mais nova do ex-senador Robert F. Kennedy, que nasceu meses após seu pai ser assassinado
também a tiros, em 1968.
Joseph P. Kennedy, que fez fortuna como especulador financeiro durante a Grande Depressão e chegou a embaixador dos EUA na Inglaterra, teve nove filhos com sua mulher, Rose. Seu momento de glória foi assistir à posse do filho John na presidência dos EUA no dia 20 de janeiro de 1961.
A morte de John F. Kennedy, em 1963, não foi a primeira e não seria a última tragédia para Joseph e Rose Kennedy e seus descendentes. Em 1944, durante a 2.ª Guerra, eles já haviam perdido o filho mais velho, Joseph Jr., um piloto militar, num acidente. Três anos antes, eles internaram permanentemente uma filha, Rosemary, que ficou com sérios problemas mentais depois de ser submetida a uma lobotomia. Outra filha, Kathleen, morreu num acidente de avião, em 1948. Em 1968, Robert Kennedy foi assassinado na cozinha de um hotel em Chicago, depois de um comício eleitoral.
As tragédias continuaram na geração seguinte: em 1973, Edward Kennedy Jr. o filho do senador, teve uma perna amputada por causa de um câncer. No mesmo ano, o filho mais velho de Robert Kennedy Jr, Joseph, envolveu-se num acidente de carro, que deixou uma mulher paralítica. Em 1984, a cocaína matou David
irmão de Joseph e de Michael, que morreu há dois anos em um acidente de esqui, aos 39 anos, no Colorado.


