Brasília, DF - Um lenço branco para cada morte por assassinato no país. É assim que Organizações Não-Governamentais (ONGs) querem chamar a atenção da sociedade civil para os 15 mil brasileiros que foram mortos por homicídio somente neste ano.
''O principal objetivo da manifestação é ajudar a sociedade brasileira a dimensionar o que está acontecendo na nossa nação, no que diz respeito à letalidade. Estamos vivendo num contexto de um índice obsceno de morte por assassinato. É um genocídio de gente negra, pobre e numa faixa etária de 15 a 24 anos'', ressaltou o presidente da ONG Rio de Paz, Antônio Carlos Costa. As informações são da Agência Brasil.
Os 15 mil lenços brancos foram montados em varais em frente ao Congresso Nacional, em Brasília. Costa diz que a capital federal foi escolhida para a manifestação porque os homícidios não ocorrem em apenas um estado, mas em todo o país.
''O Rio de Janeiro não é o Estado mais violento no nosso país. A situação está horrível em Pernambuco, uma tragédia em Mato Grosso, São Paulo, Minas Gerais. Em Santa Catarina, as coisas não estão fáceis'', disse. ''O que nós queremos é que haja uma mobilização nacional, que a sociedade passe a participar e que o poder público estabeleça como prioridade número um a defesa da vida'', completou o presidente da ONG.
Para ele, a população é passiva diante dos casos de homicídios no país. ''Temos uma sociedade que não compreende que sem participação popular esse quadro não vai mudar'', disse. ''Se a sociedade não emprestar força ao poder público, não vamos sair desse estado de barbárie'', completou.
Na opinião do presidente da Rio da Paz, a sociedade está individualista. ''O brasileiro espera a tragédia alcançar sua família para aprender a ser gente, a se comportar como ser humano. Isso é trágico''.
Costa aponta também a miséria e a desigualdade social como causas do alto índice de criminalidade. ''Precisamos de um salário mínimo que estimule o jovem, por exemplo, a trabalhar de segunda a sábado. Hoje, por exemplo, um traficante no Rio de Janeiro oferece por semana, às vezes por dia, o que o jovem ganha trabalhando duro por mês'', disse.
O presidente da ONG Rio de Paz cita também, como causas, a impunidade e a corrupção. ''Um governador, por exemplo, por melhor intencionado que ele seja, não consegue trabalhar no Brasil. Fora o fato de que muitos já chegam desmoralizados no poder por causa do jogo eleitoral'', opinou.

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