Leitura e matemática, os bichos papões
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quinta-feira, 30 de julho de 2015
Celso Felizardo<br> Reportagem Local 
Londrina - Dados do Terceiro Estudo Regional Comparativo e Explicativo (Terce), divulgados ontem pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), mostram que a maioria dos estudantes brasileiros entre o 4º e 7º anos apresenta baixo desempenho em leitura e matemática. O pior resultado foi na prova de ciências naturais, aplicada pela primeira vez no país, apenas aos alunos do 7º ano.
Apenas 4,6% estão no último dos quatro níveis de avaliação; já 80,1% aparecem nos dois níveis mais baixos. Segundo o estudo, eles não são capazes de aplicar os conhecimentos científicos para explicar fenômenos do mundo. Na prova de leitura, o índice de alunos nas duas faixas superiores é de 55,3% no 4º ano. No 7º ano, o índice sobe para 63,2%. Já o resultado em matemática foi inferior. O Terce considerou insatisfatórias as notas de 61,3% dos alunos do 4º ano e 83,3% do 7º ano.
Se comparado aos outros países da América Latina, o Brasil se manteve na média regional, com exceção nas provas de matemática do 4º ano e de leitura do 7º ano, em que teve média superior. O Terce ainda contou com uma prova de redação. No 4º ano, os estudantes tiveram que escrever uma carta a um amigo e, no 7º, uma carta a uma autoridade escolar. Os estudantes brasileiros se mantiveram na média, com oscilações em quesitos específicos analisados como domínios discursivo, textual e convenções de legibilidade. O primeiro item foi o único em que a média não foi atingida.
Ao todo, foram avaliados 134 mil estudantes de mais de 3,2 mil escolas da América Latina e Caribe. A avaliação foi aplicada na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Uruguai). Apenas três países estão acima da média regional em todos os testes e anos avaliados: Chile, Costa Rica e México.
Para a doutora em Educação e professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Evelyse Arcoverde, o grande desafio das autoridades em educação é a reorganização curricular nas escolas. "Temos que parar para pensar no que ensinamos e como ensinamos. Nosso currículo hoje está inchado, com muito conteúdo, mas a quantidade não reflete em qualidade", expõe. Para ela, a discussão deve priorizar pontos fundamentais da Educação. "Hoje, os assuntos da borda têm mais relevância. É preciso focar nas questões centrais", defende.
Ela vê avanços nos processos da organização da escola, mas aponta deficiências a serem superadas. "Um processo eficiente de formação de professores é a mola mestra para retirar o país das últimas colocações nos rankings internacionais de Educação", argumenta. Com experiências de ensino em outros países, ela aponta como frágil o desenvolvimento da leitura no Brasil. "Quando há deficiência no ensino fundamental, a tendência é o aluno carregar isso para toda a vida. Há alunos na universidade com problemas de leitura. É isso que não podemos deixar acontecer".


