Leitura de processo atrasa julgamento de jovens
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quinta-feira, 08 de novembro de 2001
Agência Foha<br>De Brasília, DF 
O julgamento dos rapazes acu sados da morte do índio pataxó Galdino Jesus dos Santos atra sará pelo menos um dia e deverá terminar na ma drugada de sábado em razão da insistência tanto da promotoria quanto da defesa na leitura detalhada do processo. O desfecho do julgamento estava previsto para amanhã. Ontem à noite começariam a ser ouvidas as 23 testemunhas. Hoje os depoimentos prosseguirão. Na sexta-feira haverá os debates e finalmente a decisão.
Tecnicamente, a principal decisão do júri será sobre a existência ou não de dolo (intenção de praticar o crime). Eles foram acusados de homicídio qualificado. O julgamento está permeado de argumentos emocionais em razão da forte repercussão do crime na opinião pública.
O Ministério Público tentará explorar contradições da defesa, e os advogados dos réus tentarão provar que houve apenas de uma brincadeira de mau gosto. Dirão que a crueldade está no resultado do crime -a morte do índio- e não no gesto dos clientes.
O promotor do caso, Maurício Miranda, deverá exibir na sexta-feira uma série de fotos do corpo do índio pataxó, especialmente da região dos órgãos genitais, fortemente queimada. Ele teve 95% do corpo atingido por queimaduras de segundo e terceiro graus.
Entre as testemunhas de defesa, estão a mãe de Tomás Oliveira de Almeida e o pai de Eron Chaves de Oliveira. O pai de Antônio Novely Vilanova, o juiz federal Novely Vilanova da Silva Reis, não compareceu ao auditório do júri nos dois primeiros dias porque temia haver especulações sobre tentativa de pressão, segundo o advogado Heraldo Paupério.
Nos dois primeiros dias do júri, os quatro rapazes estavam com a mesma roupa, todos de camiseta de manga comprida, cada um de uma cor. Max Rogério Alves, de preto, Tomás Oliveira de Almeida, de verde, Eron Chaves de Oliveira, de roxo, e Antônio Novely Vilanova, de branco. Um quinto jovem, Gutemberg de Almeida, foi julgado separadamente porque era menor. Tinha 17 anos. Os outros tinham entre 18 e 19 anos.
Do lado de fora, os índios fazem protestos esporádicos. Há faixas de entidades civis contra a impunidade. Apenas uma é favorável aos rapazes: ''Não percam a esperança. Justiça é responder pelo ilícito que se cometeu e não atender ao clamor público.''


