Leishmaniose é mais agressiva em Araçatuba
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segunda-feira, 16 de agosto de 1999
Por Antônio José do Carmo 
Araçatuba, SP, 17 (AE) - A leishmaniose viceral, que em um ano desde sua descoberta matou duas pessoas e tem outras 104 com sintomas em Araçatuba, no Noroeste do Estado, apresenta comportamento mais agressivo que em outras regiões do País onde se tornou endêmica. O motivo pode estar relacionado ao alto índice de infestação mosquito Longipalpis Lutzomyia, também conhecido por "birigui".
O diretor da Sucem, Clóvis Pauliquevis, disse hoje que a destruição das matas para formação do lago de Três Irmãos e a redução das reservas florestais da Alta Noroeste a menos de 1,5% do território podem ter contribuído para fazer o inseto deixar o campo, de onde é natural, e migrar para a cidade.
O mosquito transmissor já está infestado na área urbana de Araçatuba, ao contrário da Paraíba, por exemplo, onde os focos são geograficamente restritos nas áreas urbanas e a infestação é maior nas na zona rural. O detalhe foi apresentado por Laura Ney
da Fundação Nacional da Saúde da Paraíba, num dos debates que estão sendo promovidos pelas autoridades sanitárias em Araçatuba.
Enquanto no norte da Bahia, municípios que controlaram a leishmania possuem população canina com 2% a 4% de contaminação, em Araçatuba ela já atingiu 18% e agora caiu para 15%. As informações são do veterinário Dante Bombarda, um dos responsáveis pela vigilância sanitária no município. Bombarda disse que dos 50 mil cães que se estimam no município, pouco mais de 20 mil tiveram o sangue coletado, sendo que apenas da metade sabe-se os resultados até agora. Os exames estão sendo feitos pelo Instituto Adolfo Lutz, ligado à Secretaria Estadual da Saúde. Até recentemente demorava mais de 100 dias para enviar os resultados. Por causa disso, em muitos casos os animais morreram antes de ser identificada a doença.
Segundo Bombarda, o Instituto Adolfo Lutz contratou mais funcionários e os exames que eram realizados só na Capital agora também podem ser feitos em Araçatuba, Presidente Prudente e Botucatu. Mas mesmo com essa agilidade os resultados ainda demoram 40 dias.
O vereador e veterinário Antônio Carneiro da Silveira (PSDB) disse que a leishmaniose ainda está sem controle na cidade e já chegou a 21 municípios da Alta Noroeste. Ele acredita, porém, que agora as autoridades sanitárias estão se entendendo e trabalharão juntas.


