Natal, 01 (AE) - A leishmaniose visceral ou calazar está se alastrando entre as crianças de Natal. Na última semana têm sido registrados mais de dez novos casos diariamente. Foram 184 casos da doença no Rio Grande do Norte neste ano, com dez mortes
três delas de crianças. Pelo menos 43 municípios registram casos. O hospital Giselda Trigueiro, único da capital de referência no tratamento de doenças infecto-contagiosas, registrou a internação de 70 crianças.
A pediatra Maria José de Aguiar, do Giselda Trigueiro, afirma que 40% dos leitos da unidade infantil do hospital são ocupados por vítimas da doença. As crianças, segundo a pediatra, são as mais atingidas porque estão em contato mais direto com os cães. O tratamento dura cerca de 30 dias e após a alta, as crianças precisam ter acompanhamento médico durante seis meses. Elas apresentam complicações de fígado e baço.
A leishmaniose visceral é transmitida ao ser humano pelo mosquito flebótomo. O cão também pode ser picado pelo mosquito, tornando-se uma espécie de "reservatório" do protozoário Leishmania. Há focos do da doença espalhados por toda a cidade. "Não existe zona específica de calazar na cidade, a doença existe em bairros nobres e na periferia", disse o advogado José Maurício de Medeiros, presidente do Kennel Clube. Cães vencedores de concursos de raça também estão sendo atingidos pela doença.

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