Leishmaniose alastra-se em acampamento de sem-terra
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de outubro de 1999
Por João Naves de Oliveira (especial para a AE) 
Itaquiraí, MS, 24 (AE) - A leishmaniose está contaminando um acampamento de sem-terra com 1.300 famílias, mais de 5 mil homens, mulheres e crianças. Instalado dentro da Fazenda Santo Antonio, que eles invadiram em novembro de 1997, o local, situado em Itaquiraí, Extremo-Sul de Mato Grosso do Sul, tem muitos cães com a doença, que é confundida com sarna.
Como se isso não bastasse, lebres, tatus, raposas, gambás e cavalos, que também são transmissores, transitam pelo acampamento, segundo informou o secretário de Saúde do município
Hamílton Loro.
Ele afirmou que, das 25 amostras de sangue que coletou dos sem-terra com sintomas da doença, 16 são positivas. Explicou que, felizmente, a leishmaniose é do tipo americana, que não afeta os rins e fígado, o que pode facilitar o tratamento feito à base de injeção de glucantine.
Entretanto, alertou sobre a possibilidade do surgimento de alguns casos do tipo visceral, que mata, lembrando que a glucantine é recomendada somente para os casos descobertos no início das infecções. Os mais graves terão de ser encaminhados para internação.
A descoberta surgiu com os resultados das análises que chegaram sexta-feira (22) ao acampamento. Ainda segundo o médico
é cedo para um prognóstico mais detalhado sobre a gravidade da doença, e também não houve internação de contagiados. Ele não contou quantos são os afetados pela leishmaniose, dizendo existir um número bastante significativo de sem-terra adultos e crianças com febre alta e feridas pelo corpo todo, principalmente na boca, o que caracteriza a contaminação.
O chefe do Distrito Sanitário da Fundação Nacional de Saúde (FNS) de Dourados (MS), Hoseias Nascimento, disse que foram coletadas amostras do mosquito que transmite a leishmaniose aos animais, que, uma vez contaminados, espalham a doença entre os seres humanos. De acordo com o que explicou, o maior responsável pela presença do vetor da leishmaniose é o desmatamento. O mosquito prefere regiões com matas ou próximo de fundos de vales e várzeas, exatamente como é a área onde estão os sem-terra, contando, ainda, com plantas, matéria orgânica e animais por perto.


