Leis mais duras de controles de armas podem prevenir massacres
Londres, 21 (AE-AP) - A Grã-Bretanha, que ainda estremece com a lembrança dos 16 pequenos caixões depois que um homem armado invadiu uma escola escocesa há três anos, conclamou os Estados Unidos a responder ao seu pior massacre escolar colocando as armas de fogo fora do alcance.
"Acordei hoje cedo horrorizado ao pensar que uma tragédia como essa ocorreu num dos países mais civilizados do mundo", disse o secretário de Defesa George Robertson à BBC.
"Espero que os americanos analisem cuidadosamente o que nosso país fez para banir as armas depois do massacre de Dunblane e espero que nunca mais tenhamos que transmitir notícias assim vindas da América", disse.
A Grã-Bretanha impôs uma proibição quase total de armas de fogo depois que Thomas Hamilton usou quatro armas, com porte legal, para matar a professora e 16 crianças de um jardim de infância na cidade escocesa em 13 de março de 1996, antes de se matar.
O massacre de ontem, cometido por dois jovens adolescentes que riam enquanto matavam 16 estudantes colegiais, incluindo eles próprios, atordoou o mundo.
Muitos criticaram a disponibilidade das armas nos Estados Unidos.
Um jornal japonês colocou no título de uma matéria a seguinte questão: "O quanto é doente a sociedade das armas da América?". As notícias do jornal focalizaram o fato dos dois suspeitos parecerem escolher grupos minoritários e atletas como vítimas. "A matança colocou em evidência outra vez as tendências pervertidas de uma sociedade avançada", afirmou o jornal.
Numa entrevista ao jornal, Mieko Hattori, a mãe de um estudante de 16 anos que fazia intercâmbio nos Estados Unidos e foi morto com um tiro em 1992 numa festa de Halloween, disse esperar que os tiros sirvam para chamar a atenção e intensificar as leis de controles de armas. Segundo o jornal, Mieko afirmou que há armas por toda parte e que até mesmo estudantes de colegial podem obtê-las.
O papa João Paulo II apelou para a sociedade americana buscar "a visão moral e os valores que sozinhos podem assegurar respeito à dignidade inviolável da vida humana".
"Não há razão para acreditar que os Estados Unidos vão acordar agora, como espera o presidente Clinton", disse em Oslo o jornal norueguês Aftenposten, lembrando que depois dos massacres prévios, pouca foi feito.
As leis de controle de armas britânicas, atualmente entre as mais duras do mundo, permitem à polícia ter acesso ao histórico médico completo de qualquer um que requeira uma licença, incluindo detalhes de qualquer problema de saúde mental. Cada requerente deve dar nomes de duas pessoas que conhecem há pelo menos dois anos e que estão de acordo com a requisição.





