Curitiba – Mais de R$ 30 milhões foram arrecadados em 81 leilões de bens apreendidos com traficantes de drogas de todo o País nos últimos 13 anos. Os dados são do Fundo Nacional Antidrogas (Funad), órgão subordinado à Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), do Ministério da Justiça.
Os valores arrecadados, conforme determina a legislação nacional, são destinados a ações de redução da oferta de entorpecentes e de prevenção, tratamento e reinserção de usuários e dependentes.
Ontem, em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), cerca de 400 pessoas participaram do 82º leilão realizado no País pela Senad. Foram leiloados 264 itens, entre eles duas aeronaves (uma sucateada e outra em condições de uso e com documentação), seis embarcações e diversos veículos (carros, caminhões e equipamentos agrícolas). A expectativa era arrecadar entre R$ 800 mil e R$ 1 milhão.
Uma das aeronaves, no valor de R$ 82 mil, foi arrematada pelo empresário Eduardo Oleski, de Curitiba, juntamente com dois sócios. Segundo ele, o avião normalmente estaria avaliado em R$ 200 mil. "Resolvemos investir para depois vender a aeronave. Sempre participamos destes leilões e estamos de olho em outras ofertas. É uma boa oportunidade de fazer negócio", declarou.
O coordenador geral do Contencioso do Funad, Amilcar Barbosa Cintra, os itens leiloados foram utilizados para o transporte de drogas ou são bens adquiridos por meio de tráfico. Alguns veículos apreendidos são reaproveitados pela própria polícia e não chegam a ir a leilão. Os itens são resultantes de apreensões feitas nos últimos cinco anos.
A maioria dos leilões é realizada nos três Estados onde se concentra boa parte das apreensões de drogas: Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo. "O Paraná é, infelizmente, um Estado de rota do tráfico, principalmente por causa da fronteira, da mesma maneira que o Mato Grosso do Sul. Já São Paulo é o grande destino dos entorpecentes. Então, nestes Estados, temos mais bens apreendidos e, consequentemente, é onde fazemos mais leilões. No Mato Grosso do Sul, por exemplo, já foram feitos mais de 11 e, no Paraná, seis ou sete, contando com o de hoje (ontem)", explicou Cintra.
A arrecadação dos remates é divida: 80% são repassados ao próprio Estado para aplicação em políticas de enfrentamento ao consumo e ao tráfico e 20% permanecem no Funad para ações de capacitação, orientação e prevenção ao uso de drogas.

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