Rio, 15 (AE) - O resultado do primeiro dia de leilão das áreas para exploração de petróleo e gás da Agência Nacional de Petróleo (ANP) frustrou as indústrias brasileiras de equipamentos para o setor. "Estamos um pouco decepcionados, a nossa expectativa era um pouco maior", queixou-se o presidente do Sindicato Nacional da Indústria Naval (Sinaval), Omar Rezende Peres, ao comentar a quantidade pequena de equipamentos nacionais com que empresas se dispuseram a encomendar, na maioria dos lances feitos.
Nos termos do edital de licitação das áreas da ANP, esse compromisso, chamado de "índice de nacionalidade", ficaria em, no máximo, de 50% na fase de exploração e de 70% na etapa seguinte, de desenvolvimento dos campos. Mas das seis ofertas vencedoras, até o início da noite, apenas duas tiveram índice de nacionalidade de 50%, e somente uma, a da Petrobrás, previa 60% de encomendas de equipamentos nacionais.
O diretor-geral da ANP, David Zylberstajn, não considerou o fato grave. Para o diretor da ANP, estes índices representam compromissos mínimos mas podem ser aumentados, durante a execução dos projetos". É natural que empresas que nunca lidaram com empresas nacionais terem cautela", afirmou.
O diretor de Relações Externas da Esso do Brasil, Eduardo Lopes, cuja empresa ficou com o Bloco 1 da Bacia Marítima do Espírito Santo, com índices de nacionalização de 5% na exploração e 15% na fase de desenvolvimento, confirmou a tese de Zylbersztajn. "Vamos olhar com certa perspectiva o mercado brasileiro, não temos nenhuma idéia pré-concebida", informou.
Para o advogado Jean-Paul Prates, da Expetro Consultoria
para reverter o quadro, as empresas nacionais têm de fazer um trabalho técnico, de oferta de bons equipamentos, e não político. "A Onip tem de funcionar como um banco de dados para as empresas", afirmou Prates, ao analisar o papel da Organização Nacional da Indústria de Petróleo (Onip), recentemente criada para desenvolver o setor.

mockup