São Paulo, 14 (AE) - O leilão de venda da Comgás foi a privatização mais tranquila já realizada pelo governo paulista: sem pendências judiciais ou grandes manifestações de funcionários. O que chamava a atenção hoje na entrada da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) era o aparato policial montado para conter eventuais tumultos.
Representando o governador Mário Covas (PSDB), o vice-governador, Geraldo Alckmin, destacou a vantagem da privatização para os consumidores - a possibilidade de ampliação dos investimentos em infraestrutura, com o afastamento do governo. "Não dá para esperar que o Estado faça os investimetnos necessários", observou.
Alckmin observou que a Comissão de Serviços Públicos de Energia (CSPE) será responsável pelo fiscalização dos serviços no estado. Mauro Arce, secretário estadual de Energia, afastou a possibilidade de eventuais abusos na cobrança de tarifas, a exemplo do que vem correndo no Rio de Janeiro.
Além disso, ele ressaltou que o monopólio de distribuição será de apenas 12 anos, período inferior ao do Rio. Ele também justificou a necessidade de preservar a exclusividade da empresa por esse período para garantir o retorno dos investimentos exigidos.
Cesp - Com o dinheiro arrecadado com a venda da Comgás, a Companhia Energética de São Paulo (Cesp) vai reduzir sua dívida de R$ 9 bilhões para cerca de R$ 7,4 bilhões. Mas a Cesp, controaldora da Comgás, ainda não sabe o quanto receberá em dinheiro.
O edital permite o pagamento de até 30% com títulos da Companhia Paulista de Ativos (CPA), ou seja, algo em torno de R$ 500 milhões. Segundo o presidente da British Gas (BG) para a América do Sul, Dioclecio Araujo Filho, a empresa pretende pagar parte da compra com os títulos, mas ainda não sabe exatamente quanto.
Boa parte, entretanto, virá do caixa das matrizes da BG e da Shell. Ou seja, haverá ingresso de capital externo no País. A liquidação financeira da operação será na próxima semana.

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