Leilão eletrônico dificulta fraude na compra de remédios
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quinta-feira, 03 de junho de 2004
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Um laboratório e três distribuidoras participaram ontem do pregão eletrônico promovido pela Secretaria de Estado da Saúde para a compra de 5 mil ampolas de Imunoglobina RH (medicamento aplicado em gestantes com fator RH negativo após o primeiro parto). O preço máximo fixado pelo edital de licitação foi de R$ 450 mil e o vencedor, o distribuidor Pró Diet, fez a oferta de R$ 444,3 mil.
Foi o primeiro leilão para a aquisição de hemoderivados após deflagrada a Operação Vampiro, pela Polícia Federal (PF) que investiga a compra ilegal de remédios pelo Ministério da Saúde.
Pelo sistema de compra on-line, as empresas têm um prazo para se inscrever e o leilão ''ao contrário'' (porque é quem baixa mais o preço) acontece através do site do Banco do Brasil.
O chefe da Comissão de Licitações da secretaria, Caetano da Rocha destacou a transparência que o pregão eletrônico fornece. Para ele, como a disputa pode ser acompanhada por qualquer pessoa conectada à internet, os fornecedores se intimidariam para fazer falcatruas.
Nenhum fornecedor, ou qualquer pessoa que acompanhe o pregão, pode ver o nome dos concorrentes, o que, segundo da Rocha, evita que eles se comuniquem e combinem preços. Mas como são poucos fornecedores não há nada que impeça realmente que eles se comuniquem e façam combinações mesmo que no momento do leilão. Os participantes deste último leilão foram o laboratório Avantes e as distribuidoras Prospital e Hospifar. A distribuidora Alminhada havia se inscrito, mas foi eliminada por não apresentar certificação de medicamento junto ao Ministério da Saúde.
Ontem, o ex-diretor do Fundo Nacional de Saúde (FNS) Reginaldo Muniz Barreto, afastado no dia 24 por meio de exoneração preventiva, negou ter recebido suborno da máfia do sangue, e prometeu entrar na Justiça em busca de reparação por danos pessoais, materiais e morais provocados, segundo ele, por informações falsas noticiadas a seu respeito, que mancham sua honra e reputação e o colocam ''inclusive, em perigo pessoal''.
Em uma carta a amigos enviada por correio eletrônico, ele disse que há um jogo e pesado em torno dessa questão, relacionado à conjuntura eleitoral. ''Tudo leva a crer que eu fui sacrificado em função desse jogo'', disse. (Com Agência Estado)


