Brasília, 23 (AE) - O governo federal vendeu hoje R$ 500 milhões em Letras do Tesouro Nacional (LTN), marcando sua volta ao mercado de títulos prefixados, depois de uma ausência de nove meses. "Foi um sucesso", comemorou o secretário do Tesouro Nacional, Eduardo Guimarães. "Mostra que o mercado tem expectativa de queda nas taxas de juros."
Ele informou que a procura pelas LTN chegou a R$ 7 bilhões, ou seja, foi 14 vezes maior do que a oferta. Os papéis, com prazo de um mês, foram vendidos a uma taxa média de 42,58%. A taxa máxima aceita pelo Tesouro foi de 42,80%.
"O resultado confirma que o mercado, como o governo, vê um cenário positivo", comentou. "Se o mercado aceita papéis a 42,58% ao mês, é porque acha que não terá perdas com esse nível de remuneração, e que a taxa de juros convergirá para esse nível ou mais baixo."
Na quinta-feira o Tesouro voltará a oferecer títulos. Serão vendidos R$ 4,5 bilhões em Letras Financeiras do Tesouro (LFT), para substituir papéis do Banco Central que vencem naquele dia. O governo já anunciou, em seu memorando de política econômica entregue ao Fundo Monetário Internacional (FMI), que pretende substituir gradativamente os papéis emitidos pelo Banco Central por títulos do Tesouro Nacional.
Teste - A venda de LTN funcionou como um teste da receptividade desse tipo de papel pelo mercado. Guimarães disse que, "possivelmente", haverá novo lançamento de LTN na próxima terça-feira.
O Tesouro leiloou também R$ 3 bilhões em LFT para rolar sua dívida vencida hoje. Esses títulos pós-fixados passaram a ser utilizados para rolar a dívida pública após o início da crise financeira internacional.
Hoje as LFT foram vendidas, em média, a 44,99%, um ponto básico abaixo da taxa Selic. A remuneração máxima aceita pelas LFT foi de 45,02%. A cada semana, o Tesouro rola dívidas entre R$ 2,5 bilhões e R$ 4 bilhões.
Segundo Guimarães, a evolução do cenário econômico nas últimas semanas foi favorável, e por isso o Tesouro decidiu voltar a vender títulos prefixados. "O resultado confirma que o mercado, como o governo, vê um cenário positivo", comentou.
O secretário disse que o fato de a taxa máxima das LTN ter ficado próxima à média demonstra que há consenso no mercado sobre o comportamento futuro das taxas de juros. Ele não quis, porém, arriscar um palpite sobre a que taxas o Tesouro conseguirá nos futuros leilões de LTN. "Não interpreto o mercado", disse.
Também não deu maiores indicações sobre um eventual movimento mais acentuado de redução nas taxas de juros. "O Copom (Comitê de Política Monetária) decidirá", limitou-se a dizer.Por Adriana Fernandes e Nélia Marquez ATENÇÃO EDITOR: Esta retranca atualiza informações.

mockup