Porto Alegre, 16 (AE) - Fracassou o primeiro leilão para aquisição de terras para fins de reforma agrária promovido pelo Incra no País. No pregão de viva-voz realizado hoje à tarde na Bolsa de Mercadorias do Rio Grande do Sul (BMRS), o instituto não conseguiu comprar nenhum dos 6,143 mil hectares habilitados em várias regiões do Estado.
De acordo com corretores presentes ao leilão, os preços de aquisição oferecidos pelo Incra estavam defasados em cerca de 50% em algumas regiões. Gustavo Renato Erhart, da Corretora Renato e representante de um proprietário do município de Bagé, disse que esperava R$ 1,2 mil por hectare de terra nua quando a oferta foi de apenas R$ 700,00 por hectare.
O fracasso da operação poderá levar o Incra a priorizar as desapropriações para obter a terra necessária à reforma agrária. "Temos outros caminhos e o mais importante é a desapropriação", disse o superintendente estadual do instituto, Paulo Emílio Barbosa. De acordo com ele, a meta este ano é assentar 2,5 mil famílias no Rio Grande do Sul. As áreas habilitadas hoje seriam suficientes para 160 famílias.
Os valores ofertados pelo Incra, conforme o superintendente, são similares aos pagos nos casos de desapropriação. Segundo o chefe do Departamento de Desapropriação e Aquisição de Terras do instituto, Sérgio Paganini, eles foram definidos há cerca de duas semanas levando em consideração o mercado de cada região, mas deverão ser revisados para verificar se houve distorções. Depois disso serão definidos locais e datas para novos leilões.
As ofertas no pregão de hoje foram feitas por Unidade Agronômica (UA) que, multiplicada pela Nota Agronômica (NA), definia o preço final por hectare. Segundo Paganini, todas as propriedades habilitadas tiveram NA superior a 5, o que significou ofertas mínimas de abertura entre R$ 620,00 e R$ 1.392,00 e de fechamento entre R$ 670,00 e R$ 1.575,00 por hectare, sem contar eventuais benfeitorias.
Os valores seriam pagos em Títulos da Dívida Agrária (TDA) resgatáveis em quatro vezes a partir do segundo ano. Já as benfeitorias seriam quitadas em dinheiro num prazo de 60 dias. Os leiloeiros chegaram a fazer oito lances em um dos lotes de terras que interessavam ao Incra. Diante do silêncio dos corretores, os preços eram aumentados até o anúncio da "última oferta", depois do qual as corretoras ainda dispunham de algum tempo para aceitá-la ou não antes do encerramento do lote.

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