São Paulo, 10 (AE) - A estratégia dos usineiros para elevar o preço do álcool através dos leilão de compra do governo não deu certo hoje. Ao contrário do que ocorreu no leilão anterior, em que poucos negócios foram fechados porque os usineiros não quiseram reduzir seus preços, hoje foram negociados 95,53% dos cerca de 100,23 milhões de litros ofertados. Segundo traders deste mercado, os usineiros tiveram que aceitar os preços mais baixos impostos pelo governo porque precisam de liquidez.
Analistas dizem que o atual mercado de álcool é um mercado de liquidez e não de preços. Segundo eles, os usineiros inflacionaram os estoques de alcool existentes para obter uma parcela maior no rateio de vendas. Quanto maior o estoque de determinado produtor, maior a parcela que será vendida. Inflacionando os estoques, porém, os usineiros pressionaram os preços ao criar uma oferta represada irreal. Analistas e usineiros concordam que hoje os estoques são maiores que a demanda mas não nos níveis que alguns representantes do setor afirmam.
Segundo um analista, alguns usineiros estavam esperando que o governo fosse aceitar os preços impostos por eles e não esperavam que a mesa do leilão agisse de acordo com a oferta e a demanda. A mesa não aceitou os preços de abertura e em alguns casos reduziu o preço em mais de 20%. Na primeira rodada do leilão, poucos negócios foram realizados, com a mesa cancelando os lotes que não tiveram suas ofertas de preço reduzidas. Na reoferta, porém, os vendedores decidiram mudar e reduzir os preços e assim conseguiram vender 95,75 milhões de litros. O preço médio do litro ficou em R$ 0,227, menor que os R$ 0,236 verificados no leilão anterior. O menor preço foi de R$ 0,2159 para o lote 7, de São Paulo, e o maior preço foi de R$ 35, de Mato Grosso, de R$ 0,301 .

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