Quem arrematou algum lote no leilão da Receita Federal, ontem em Londrina, saiu de lá com uma dúvida: será que foi mesmo um bom negócio? Cerca de 500 pessoas disputaram as mercadorias, distribuídas em 300 lotes. Componentes de informática, toca CD automotivo, videogames e perfumes eram maioria no edital.
O preço mínimo dos lotes estimulavam os lances. Mas, na ânsia de fazer um bom negócio, o excesso de ofertas acabou supervalorizando os produtos. Nilson Gomes, gerente de uma empresa em Londrina, ganhou a disputa por um receiver (para home theatre). A venda foi fechada em R$ 2.300,00, mais 18% de ICMS, o que elevou o preço final a R$ 2714,00, valor pago à vista no local. ''Ainda não entendi porque comprei isso. Foi na empolgação'', revelou, demonstrando preocupação.
É que as mercadorias, apesar de novas, podem não funcionar. A Receita Federal não dá garantia e nem aceita devoluções. O mesmo aparelho poderia ser adquirido no comércio local, em média, por R$ 100,00 a mais, com garantia de um ano e parcelado em até 5 vezes; ou ainda por R$ 1900,00 se o comprador optasse por outras marcas.
O advogado Giácomo Rizzo arrematou um lote com toca CD para carro, alto falantes, máquina fotográfica, calculadora, perfumes e walk-talk. ''Eu só queria o toca Cd. O resto vou guardar para dar no Natal''. Na hora de pagar, a surpresa: ele não sabia do ICMS, o que elevou a compra de R$ 500,00 para R$ 590,00. ''Se soubesse não teria levado o lance até esse valor'', lamentou.
Certeza de bom negócio teve o técnico em computação Bruno Hernandes. Ele comprou um lote com produtos de informática por R$ 330,00. ''Só uma placa que tem aqui vale quase isso. Vou instalar algumas coisas e o resto revender'', comemorou.
Segundo o responsável pelo leilão, Roberto Martins, o resultado superou a expectativa. ''Quase todos os lotes foram vendidos pelo dobro do preço mínimo''. Em agosto, a Receita Federal deve promover outra venda de mercadorias apreendidas.

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