Leilão da Comgás poderá ter ágio de 90%, prevê analista
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terça-feira, 13 de abril de 1999
por Denise Carvalho 
São Paulo, 14 (AE) - A Companhia de Gás de São Paulo (Comgás) poderá ter ágio de até 90% sobre o valor mínimo de R$ 753 milhões, para ser arrematado no leilão de privatização, marcado para hoje, às 9 horas, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). A estimativa é do analista do setor de energia do Banco BBA Creditanstalt, Roberto Dumas.
Segundo a avaliação de Dumas, existem duas expectativas quanto ao leilão da Comgás. A primeira é de que o ágio seja zero
ou muito próximo disso, se as empresas concorrentes, em acordo, resolverem apresentar uma única proposta. A segunda, a mais provável, na sua opinião, é de que haja uma disputa acirradíssima, a ponto de elevar o ágio para próximo de 90% ou até mesmo 100%. Roberto Dumas explica que a Enron, dos Estados Unidos, no concórcio PEP (Plena Energia Participações Ltda) é uma forte concorrente para levar a companhia. De acordo com o analista, a Enron não vai perder a Comgás, depois de ter pago pela Elektro ágio de 98,9%. "A Elektro não valia, por si só, o preço pelo qual foi arrematada. A Enron tinha interesses estratégicos quando a adquiriu", afirmou Dumas.
O analista avalia que é importante para a Enron adquirir o controle da Comgás por causa do gasoduto Brasil-Bolívia que cruza a área de concessão da elétrica. "Isso também dá à empresa que terá o controle da Comgás a possibilidade de construir termoelétricas na região", avaliou Dumas. O analista do banco BBA lembrou que a Enron tem participação na Ceg-Rio, a companhia de gás do Rio de Janeiro.
Roberto Dumas não deixou de destacar a força da Shell, que entra na concorrência com a British Gas, no consórcio Integral Holdings S.A. "A Shell também não vai querer perder a Comgás, já que tem 20% de participação na companhia".


