Leilão coloca em xeque meta de juro do Banco Central
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segunda-feira, 24 de maio de 1999
Por Angela Bittencourt e Equipe da AE-Broadcast 
São Paulo, 25 (AE)- O leilão de títulos do Tesouro Nacional - R$ 1 bilhão de LTN com 98 dias para o resgate - é considerado um teste para o governo FHC nesta terça-feira. Mantidas as condições de fechamento dos mercados ontem, sobretudo o futuro de juros, a expectativa é de que as instituições financeiras encaminhem propostas de compra desses papéis que impliquem em taxas de remuneração praticamente coladas à meta do Over/Selic que é 23,5% ao ano. A questão é saber qual será o posicionamento do Tesouro e, por tabela, do Banco Central que além de trabalhar de maneira orquestrada com o Tesouro também formalizou a oferta de R$ 1,5 bilhão de BBC de 63 dias para a quinta-feira.
O mercado amanhece valorizando esta embaraçosa operação por pelo menos dois motivos. Primeiro, porque acredita que este leilão poderá revelar a existência de uma fronteira entre preocupações de caráter iminentemente dom éstico e a inquietação provocada pelo cenário econômico argentino. Segundo, porque o resultado da operação poderá balancear melhor as expectativas de taxas de juros para os próximos três meses. O mercado reconhece que a crise da Argentina - onde hoje é feriado nacional - pode ser apontada como justificativa para a queda de preços dos títulos da dívida externa em Nova York e também das ações negociadas nas principais bolsas brasileiras, uma vez que tanto os "bradies" quanto as "blue chips" da Bovespa têm importante participação nas carteiras de mercados emergentes de bancos internacionais de investimentos e administradores de "global funds".
Em contrapartida, o mercado de juros no Brasil, que é muito mais amplo, tem predominante concentração de investidores domésticos, principalmente grandes bancos. Neste sentido, profissionais consultados pela AE-Broadcast consideram que o resultado do leilão de LTN previsto para esta terça-feira será um importante indicador de expectativas domésticas sobre os rumos da nossa política econômica.
O leilão é considerado um evento desprovido de nebulosas questões internacionais que já teriam ditado o comportamento dos mercados nos últimos dias. Isto não significa dizer, porém, que a oferta e venda de títulos préfixados é considerada tarefa simples. Ao contrário, o mercado acredita que o governo estará sendo testado exatamente porque - mantidas as condições de ontem à noite - qualquer resultado pesará sobre as autoridades monetárias. Se o Tesouro encarteirar os títulos prefixados pela segunda vez em menos de uma semana, comentam os operadores, ele estará confirmando a resistência do mercado a comprar o risco governo sem garantir um prêmio mais elevado.
Se o Tesouro vender as LTN aceitando pagar os prêmios que o mercado deve exigir ele estará, possivelmente, sancionando as expectativas de juros mais altos para os próximos três meses. Uma terceira hipótese não é desc artada, mas é considerada batida demais para ser encampada pelo governo: a aquisição de todo o lote de LTN por instituições oficiais, de forma que a operação não seja novamente frustrada como ocorreu na última quinta-feira e o Tesouro escape da espinhosa missão de confirmar juros ascendentes no País adentrando no segundo semestre. Na semana passada, quando os juros futuros ainda não apresentavam a forte pressão observada ontem, o Tesouro rejeitou propostas de compra de LTN de 91 dias que oscilaram de 22,50% a 23,40% ao ano.


