Leila é a resposta árabe para a Barbie
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quarta-feira, 11 de agosto de 1999
Por Bassem Mroue, da AP 
CAIRO (AE-AP)- Ela terá pele morena, longos cabelos negros e seu guarda-roupa não vai incluir uma única mini-saia ou biquíni. Ela é Leila, a resposta do mundo árabe a boneca Barbie.
Espera-se que Leila esteja nas lojas no próximo ano, o que significa que os pais terão uma alternativa à famosa boneca loira norte-americana. Ela deve ser para as meninas árabes o que Abla Ibrahim, da Liga árabe, diz que elas vem pedindo há algum tempo: bonecas que se parecem com elas e suas famílias.
Ibrahim, diretor do Departamento Infantil da Liga árabe, disse que Leila não é uma declaração de guerra à Barbie, cujos vestidos de festa glamurosos, saias curtas e tops justos estão espalhados pelos quartos infantis ao redor do mundo. "Barbie é uma boneca norte-americana, que mostra o jeito americano de viver", diz Ibrahim. "Nós queremos nos juntar ao grupo de bonecas nacionais que começa a ser produzido em todo o mundo".
Em 1996 o Irã lançou sua resposta para Barbie - Sara, que usa a típica roupa islâmica para mulheres, o chador, além de outros trajes castos. Os muçulmanos eslavos da Bósnia-Herzegovina também introduziram sua própria boneca, Amina.
Diversos pais árabes, incluindo Ibrahim, dizem que se preocupam com os valores que suas crianças estariam adquirindo, já que mais de 90% dos brinquedos disponíveis no mundo árabe são importados, em sua maioria, do ocidente e da China.
"Eu me lembro do dia em que minha filha me disse que queria ir ao cabeleireiro para tingir seu cabelo de loiro", diz a esposa de Ibrahim. "No papel de mãe e de educadora, eu acho que a rejeição ao que se é realmente é muito perigosa, principalmente quando as meninas pensam que o ideal é ser loira, usar biquíni e vestir-se de maneira suntuosa".
Fatima Amin, mãe de uma menina de 6 anos, disse que Barbie "impõe, direta ou indiretamente, um modelo de imitação para as meninas". Para ela, "a idéia da boneca árabe é muito boa, porque ajuda a demonstrar a diversidade da humanidade".
Leila terá entre 10 e 12 anos, usará lingerie infantil e será muito jovem para ter um namorado. Há planos para o lançamento futuro de seu irmão e de seus pais. Ela usará roupas que representem todos os países árabes, pois assim "as garotas saberão que a nação árabe inclui diversos países com diferentes subculturas como as do Golfo árabe, a marroquina, a egípcia, a síria, a sudanesa e a palestina", diz Ibrahim.
Magdi Anwar Hasan, pai de duas meninas, afirmou que "esta boneca árabe é boa porque irá desviar a atenção das crianças dos hábitos europeus e americanos, o que inclui roupas mais modestas e bons princípios morais".
Ibrahim considerou a fabricação da boneca árabe pela primeira vez em 1995, mas a idéia não tomou corpo até uma conferência árabe sobre crianças, ocorrida em outubro do ano passado na sede da Liga árabe, localizada no Cairo. O evento reuniu 21 nações árabes, além dos palestinos.
A senhora Ibrahim afirma que crianças de todo o mundo árabe disseram, durante a conferência, que "elas queriam ter uma boneca árabe". Diversos nomes foram sugeridos pelas crianças, mas os adultos escolheram Leila, um nome bastante comum que não tem qualquer significado religioso ou social.
"Nós podemos ter uma Leila muçulmana, cristã ou judia. Ela pode ser rica ou pobre", afirma.
O projeto de US$ 3 milhões está sendo financiado por negociantes, investidores e bancos árabes. O governo egípcio também contribuiu, através de seu fundo social.
Leila deve custar US$ 10, cerca de um terço do preço de uma Barbie naquela parte do mundo. As possibilidades de vendas de brinquedos no mundo árabe são enormes porque quase a metade dos seus 280 milhões de habitantes são crianças. Mas a senhora Ibrahim espera que Leila seja vendida no mundo todo".É o direito de cada criança, em qualquer lugar deste planeta, ter acesso a bonecas americanas, francesas, árabes, bósnias ou iranianas", acredita.
Mas irão as meninas árabes, que amam Barbie, trocá-la por Leila? "Barbie é doce e faz com que todas as meninas a amem. Toda menina quer brincar com ela", diz Salma Sayyed, de 7 anos. "Barbie é a boneca que tem uma cama e um quarto e nos diverte muito. Eu também adoro seus cabelos loiros", finaliza.


