Londrina - Os valores gastos pelo Ministério da Saúde para cumprir decisões judiciais que determinavam o fornecimento de medicamentos de alto custo aumentaram mais de 5.000% nos últimos seis anos. Foram gastos R$ 2,24 milhões em 2005 contra R$ 132,58 milhões em 2010, segundo José Miguel do Nascimento Junior, diretor do Departamento de Assistência Farmacêutica do ministério.
Para diminuir esses gastos, a presidente Dilma Roussef sancionou uma lei que regulamenta a inclusão de medicamentos e a incorporação de novos produtos e tecnologias no Sistema Único de Saúde (SUS). Publicada no Diário Oficial da União da última sexta-feira, 29, a lei, que deve entrar em vigor em seis meses, permitirá o aprimoramento da atualização periódica de tecnologias e produtos oferecidos pelo SUS.
Os critérios previstos na lei se baseiam em protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas, formulados por profissionais de saúde de diferentes unidades do SUS.
Se uma lei semelhante já estivessem vigor há mais tempo a família e amigos de uma ex-funcionária pública de Rolândia não teriam sofrido tanto num triste episódio que aconteceu há quatro anos. Mãe de três filhos, Maria (nome fictício) foi diagnosticada com angioedema hereditário (AEH), uma doença genética raríssima.
Os portadores de AEH apresentam episódios recorrentes e espontâneos de inchaços dolorosos da face, genitais e até órgãos internos. O inchaço na laringe pode matar por asfixia. Para diminuir as dores de Maria, o médico receitou um remédio caríssimo. ''Cada injeção custava R$ 1 mil e tinha dias que dávamos três'', conta o filho.
Maria morreu em 2008 antes que a ação fosse julgada. Apenas no início do ano passado a Anvisa aprovou o primeiro medicamento para tratamento das crises agudas de angioedema hereditário (AEH).(D.B. com Agência Estado)

mockup