Ana Carolina Sacoman
De Maringá
Especial para a Folha
Depois de ver bicicletas de clientes sendo roubadas quase que diariamente e não poder fazer nada, o barbeiro Ilton Ferreira de Souza decidiu construir um bicicletário na calçada de seu estabelecimento, mas foi impedido pela Prefeitura de Maringá. ‘‘Queria dar mais segurança ao pessoal. Instalei um bicicletário e depois fui comunicar a fiscalização municipal, que veio aqui, proibiu e me fez retirar’’, afirma. A partir daí, surgiu a idéia de uma lei que regulamentasse o equipamento. ‘‘Falei com o Paulo Kato (vereador pelo PPB) e ele está tentando resolver a questão’’, comenta Souza.
A lei de Kato, que prevê a regularização dos bicicletários, agora só depende do aval do prefeito. ‘‘O engraçado é que se o comerciante coloca um bicicletário sem pedir autorização, a prefeitura nem toma conhecimento. Se pede, ela não autoriza. Por isso, a necessidade da lei’’, afirma Kato. O vereador não especificou no projeto o tipo de material ou modelo a ser usado pela cidade. ‘‘Isto ficou em aberto. Pode ser que não haja um modelo único, ainda não sabemos como serᒒ.
O secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Carlos Eduardo Schwabe, pensou em viabilizar um modelo de bicicletário usado na Alemanha, feito de metalão (produto geralmente usado em grades e portões) que, por não ser maciço, é mais barato. O bicicletário teria, no máximo, dez vagas e poderiam ser instalados apenas dois por quarteirão. ‘‘Vamos esperar e ver o que o prefeito vai decidir’’, afirma Schwabe.
De acordo com o projeto de Kato, o custo do bicicletário seria bancado pelo comerciante interessado, a exemplo do barbeiro Ilton de Souza. ‘‘Já existem vários na cidade e acredito que, com a regulamentação, muitas pessoas vão querer instalar pelo menos um por calçada’’, diz Kato. -
Apostando na aprovação da lei, Souza se antecipou e, há três meses, recolocou o bicicletário em frente da barbearia. Ele fornece corrente e cadeado para quem chega desprevinido. Com a lei, vai poder trabalhar tranquilo, sem medo da fiscalização e nem de ver sua bicicleta e a de clientes roubadas. ‘‘Fico penalizado com estes roubos porque os fregueses não têm onde colocar a ‘‘magrela’’. Estou pensando no bem-estar comum’’, explica Souza.

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