Lei Seca reduz em 50% mortes nas estradas do PR
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sexta-feira, 01 de agosto de 2008
Ellen Taborda<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O número de mortes nas estradas federais que cortam o Paraná caiu pela metade no mês de julho. É o primeiro período de férias escolares depois da entrada em vigor da Lei 11.705 -conhecida como Lei Seca. Além do maior rigor contra motoristas que dirigem após a ingestão de bebidas alcóolicas, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) credita a redução à maior fiscalização do excesso de velocidade.
Nos 31 dias do mês passado, 23 pessoas perderam a vida em acidentes nas rodovias federais. No mesmo período de 2007, foram 45 mortes. A redução, de 49%, foi maior do que a média nacional, de 14,5%. O número de feridos também ficou menor. Enquanto que em 2007, 477 pessoas saíram com ferimentos dos acidentes, neste ano o número ficou em 401, uma redução de 16%.
De acordo com a PRF, a diminuição nos índices ocorreu apesar do grande movimento nas estradas, estimulado pelo período de férias, pelo bom tempo em quase todas as regiões do País, pelo aumento do turismo interno e pelo bom desempenho da indústria automobilística.
Embora os números de mortos e feridos tenham sofrido redução, o de acidentes aumentou em 20%. Foram 728 casos no último mês contra 606 do mesmo período do ano passado. Mas, de acordo com a PRF, eles foram menos graves. O número de acidentes sem feridos aumentou em 47% neste ano.
Desde que a Lei Seca entrou em vigor, em 20 de junho, 81 motoristas foram autuados por dirigirem embriagados. Dentre estes, 37 chegaram a ser detidos porque estavam com concentração de álcool acima de 6 decigramas por litro de sangue.
Segundo o advogado especialista em trânsito, Marcelo Araújo, a queda nos números de mortos e feridos não pode ser creditada exclusivamente aos efeitos da Lei Seca. Ele alega que nas rodovias não é tão grande a parcela de motoristas que dirigem embriagados. ''Não dá para negar alguma influência da lei, mas há outros fatores como o combate ao excesso de velocidade'', argumenta.
Araújo acredita que os números devem reforçar os argumentos a favor da Lei Seca. ''Contra fatos, dificilmente encontram-se argumentos plausíveis.'' Ele diz que espera que a lei continue rigorosa. ''Que a fiscalização não ocorra apenas num primeiro momento, como ocorreu com o Código de Trânsito, que aos pouquinhos foi aliviando'', alerta.
A redução de mortes nas estradas estaduais não foi tão grande quanto nas federais. Neste ano, 80 pessoas morreram em julho, contra 87 do mesmo período do ano passado. A queda ficou em 8%. Já o número de feridos caiu 11%. Os acidentes, a exemplo das rodovias federais, cresceram neste ano: 1.355 contra 1.337 em 2007.


