Lei prevê uso racional de água em construções
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terça-feira, 30 de março de 2004
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A lei municipal que determina medidas a serem adotadas nas novas construções em Curitiba visando o uso racional e o reaproveitamento de água vai aguardar pelo menos até o final de semana para entrar em vigor. Isso porque a Secretaria de Urbanismo de Curitiba repassou ontem para apreciação da Câmara Municipal correspondência do Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon) e Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi) solicitando prazo de 180 dias para discussão do assunto com vistas a mudanças na redação atual.
Apesar de adiar o início da vigência da legislação, prevista para hoje, o secretário de Urbanismo, Luiz Fernando Jamur, concorda com apenas um questionamento feito pelos empresários. Trata-se do item que prevê a captação e armazenamento de águas servidas (utilizadas em tanque, máquina de lavar, chuveiro e banheira) para serem reutilizadas na descarga dos vasos sanitários, e só depois descarregadas na rede pública de esgoto.
A intenção, segundo Jamur, é buscar a melhor forma para reutilização dessas águas, o que será detalhado na regulamentação da lei. Ele acredita que até o final da semana as partes já tenham uma solução, e a lei poderá entrar em vigor.
As entidades argumentam que, sem um sistema de tratamento eficaz, a reutilização da água pode resultar em problemas sanitários e de saúde aos moradores. ''Nenhum empresário consciente vai jogar essa água na casa das pessoas sem tratamento, e isso tem um custo imensurável, seja para a construtora, que terá que implantar o sistema, e depois para o condomínio que terá que pagar a manutenção, com a compra de produtos químicos e contratação de um engenheiro químico responsável. Isso vai ter um custo tão alto que muitos vão acabar abandonando'', prevê Volmir Selig, diretor do Sinduscon.
Os construtores e empreendedores do setor alegam que outras exigências da lei significam aumento de custo na construção. É o caso da obrigatoridade de instalação de hidrômetros para medição individual do consumo de água. ''Concordo que essa medida pode ser viável em apartamentos de alto padrão, mas não em pequenos, mais baratos. Isso vai aumentar em 5% o custo da construção'', alerta Selig. Para o secretário, este item não terá problemas, já que a lei prevê o uso apenas em condomínios. ''Vamos ter que hierarquizar as edificações'', diz.
A legislação prevê ainda a captação e armazenamento de água da chuva para uso em regas de plantas, lavagem de roupas, calçadas e veículos, e instalação de dispositivos em vasos sanitários e torneiras de chuveiros e pias com controle do volume de descarga.


