Curitiba- A população desconhece a existência de uma legislação que prevê a instalação de telefones públicos para pessoas portadoras de deficiência auditiva em locais públicos. No Brasil existem apenas 750 aparelhos telefônicos públicos instalados especificamente para atender surdos, quando a legislação recomenda a instalação de pelo menos 27 mil aparelhos adaptados.
Esse volume corresponde ao que determina a legislação, que pelo menos 2% dos telefones públicos de uma localidade devem ser adaptados para quem tem problema de audição, fala e usuários de cadeiras de rodas. Hoje são 1,35 milhão de telefones públicos no País. Conforme levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 166.400 pessoas são surdas além de um contigente de 900 mil pessoas com dificuldade permanente para ouvir.
A legislação é de 1998, quando a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou junto à Presidência da República, o decreto que estabelece o Plano Geral de Metas de Universalização. O plano obriga as operadoras do serviço telefônico fixo a instalar telefones públicos adaptados para a utilização por pessoas portadoras de deficiência auditiva.
O equipamento foi exposto na ''Municipal 2005'', congresso de prefeitos e vereadores encerrado ontem em Pinhais, Região Metropolitano de Curitiba (RMC) para conhecimento dos gestores públicos. A maioria não sabe, mas se houver reivindicação da população, a operadora tem que instalar um terminal específico, esclareceu o empresário Claudio RobertoSindicic, diretor da empresa fabricante dos aparelhos. A empresa, que nasceu no Centro Incubador de Empresas Tecnológicas da Cidade Universitária de São Paulo, desenvolveu o aparelho com tecnologia nacional.
Denominado Surtel, o equipamento tem um teclado alfanumérico, para enviar mensagens, acompanhado de um visor luminoso, eletrônico. O deficiente auditivo tecla a mensagem que é enviada à uma central mantida pela operadora de telefonia fixa. A central repassa a mensagem ao interlocutor. A resposta percorre o mesmo caminho. O interlocutor transmite a mensagem por voz, que é codificada pela central e repassa a mensagem no display eletrônico, disponível para leitura ao deficiente auditivo.
Os deficientes auditivos também contam com os serviços de uma operadora de telefonia celular. Desde 31 de maio, a Claro está oferecendo esse atendimento de forma pioneira. Os clientes da operadora podem acessar a central pelo telefone 0800 036 2323, que faz a ligação direta como se o usuário estivesse num chat. A operadora recorre a um aplicativo da Internet para viabializar a troca de mensagens. Para isso, é necessário que ele possua um aparelho específico para realizar a discagem por telefone e receber mensagem escritas na tela de seu computador.

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