São Paulo - O estudante universitário Adriano Saddi Lima Oliveira, 23, confessou ontem que pagou R$ 40 mil a dois homens para matarem sua mãe, a empresária Marisa Saddi, 46, segundo policiais do Denarc (Departamento de Investigações sobre Narcóticos) de São Paulo. A polícia, contudo, não pode prendê-lo devido à legislação eleitoral.
A legislação eleitoral determina que nenhum eleitor pode ser preso na semana das eleições, a não ser no caso de prisões em flagrante ou cumprimento de sentença condenatória por crime inafiançável. Neste ano, a determinação começou a valer na terça-feira e dura até 3 de outubro --48 horas após a conclusão das eleições.
Adriano foi preso na região central de São Paulo juntamente com o motorista da família, Cristiano Borges Ferreira, 24, que teria intermediado o contato de Adriano com os matadores. Mesmo confessando o crime, segundo a polícia, ambos foram liberados após prestarem depoimento.
''Eles poderão fugir se quiserem. Não temos como vigiá-los'', disse o delegado Cosmo Stikovics, divisionário da Dise (Delegacia da Divisão de Investigações Sobre Entorpecentes).
Por acaso
Marisa Saddi foi morta a tiros em Vargem Grande Paulista (Grande SP) em 27 de junho. Ela tinha vários imóveis em São Paulo, muitos alugados para revendedoras de veículos, e morava num condomínio fechado de alto padrão.
O delegado Stikovics chegou aos suspeitos com informações de traficantes de drogas presos e que levaram ao motorista Ferreira, que, segundo o delegado, não tinha envolvimento com o tráfico, mas mantinha contato com assassinos.
Preso, Adriano contou à polícia que administrava os imóveis da mãe e, em troca, pagava à empresária uma mesada que variava de R$ 15 mil até R$ 60 mil. Ele disse que sentia-se incomodado com os altos valores da mesada e acreditava que Marisa, divorciada, estivesse repassando o dinheiro para um namorado. Resolveu matar a mãe ''antes que ela dilapidasse o patrimônio da família'', contou o delegado.

mockup