Curitiba- O coordenador do Departamento Penitenciário (Depen), coronel Onório Olavo Bortolini, lembrou que a própria Lei de Execução Penal estabelece que sejam oferecidas aos detentos oportunidades de trabalho e estudo. ''Mas não é só porque está na lei. Educação, trabalho e profissionalização são fatores importantes para a ressocialização dos internos'', acrescentou.
O índice de reincidência na criminalidade entre os detentos do Paraná é o menor do País, apontou Bortolini como indicador do bom resultado dos projetos desenvolvidos no sistema penitenciário paranaense. A média nacional de reincidência, segundo ele, é de aproximadamente 70%.
Além da oportunidade de trabalhar e, com isso, ter remissão da pena, muitos dos internos que chegam às unidades penais têm a chance de se alfabetizar e concluir os estudos até o ensino médio. ''É uma forma importante de resgate da cidadania'', declarou o coordenador.
''Qualquer ocupação é benéfica para qualquer pessoa, não só para quem está preso'', analisou a psicóloga Maria do Rocio Novaes Pimpão, que já atuou na Prisão Provisória de Curitiba (PPC), no Ahú, e na Colônia Penal Agrícola, e agora está lotada na Escola Penitenciária (Espen). ''Os projetos desenvolvidos nessas unidades servem não só para o detento manter-se ocupado, mas para que ele reflita sobre sua situação'', complementou.
Maria do Rocio, no entanto, entende que no tratamento penal a ocupação não deva ser compulsória. Ela reconhece que sua opinião é polêmica, mas defende que nem todos os internos se encaixam nas atividades oferecidas. ''Existem pessoas que se negam a estudar porque têm outra visão do mundo, principalmente as que vêm do meio rural'', exemplificou.
Um dos benefícios do envolvimento com o trabalho, afirmou Maria do Rocio, é que o interno irá ganhar pontos no momento de fazer a avaliação técnica para a progressão de regime. Outro fator positivo é que, ao participar das oficinas de artesanato ou culturais, por exemplo, ministradas por voluntários, o detento volta a ter contato com a sociedade e a se sentir, de certa forma, inserido nela.
A psicóloga não arrisca fazer uma relação direta entre ociosidade e reincidência na criminalidade. ''Não dá para fazer um prognóstico de que esse interno (ocioso) irá reincidir no crime. É preciso avaliar como ele está ocupando seu tempo quando não está inserido nos projetos oferecidos pela unidade'', ponderou.
Sobre a saúde mental dos presos ociosos, Maria do Rocio disse que aqueles que, por razões pessoais, como rixas com outros internos, pedem para ficar isolados, normalmente, demandam atendimento maior dos serviços de psicologia e psiquiatria.(A.L.)

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