Paris, 08 (AE) - Número igual de homens e mulheres, eis o que prevê o projeto de lei sobre a paridade aprovado esta manhã pelo conselho de ministros. Quando a lei for adotada pela Assembléia Nacional, os partidos serão obrigados, sob o risco de sofrer sanções financeiras, a apresentar 50% de mulheres nas listas de candidatos aos futuros escrutínios. Assim, o primeiro-ministro, Lionel Jospin, manteve-se fiel a sua promessa: acabar com o "machismo" que constitui uma das pragas da política.
O problema é que muitas mulheres, tanto de esquerda como de direita, estão exasperadas com o projeto de Jospin. Elas consideram o texto "desdenhoso", alegando que criar "quotas" em favor das mulheres é considerá-las uma espécie inferior que a lei deve proteger, auxiliar, afagar, alimentar com mamadeira, dopar e dar vitaminas.
Muitas mulheres recusam portanto esse "protecionismo um pouco condescendente" dos homens e dizem: "Dispensamos próteses e muletas. Somos adultas. Não precisamos da ajuda de ninguém. Abriremos nosso caminho a golpes de facão".
Uma das partidárias dessa linha é a nova presidente do partido do RPR (gaulista), Michle Alliot-Marie. E de fato: basta olhar sua figura, ouvi-la dizer duas frases para compreender que ela não precisou de nenhuma proteção para galgar altos postos: sorrisos sarcásticos, palavras gélidas, dentes imensos. Michle Alliot Marie faria com que Margareth Thatcher passasse por uma flor, uma pessoa tímida e terna.
De fato, mal havia sido eleita para um cargo elevado (presidente de um grande partido), já criticava duramente a "lei da paridade": "Hipócrita e inaplicável. Ultrajante para as mulheres!".
Em âmbito privado, Michle Alliot-Marie justifica com argumentos um pouco diferentes sua rejeição visceral dessa lei. Teria dito a uma de suas colegas de partido, favorável à lei da paridade: "Mas, afinal, deixe de fazer esse carnaval em torno da paridade homens/mulheres: se essa lei for aprovada, haverá bem mais mulheres deputadas, e portanto menos vagas para cada uma de nós!.
Os homens, por sua vez, estão encurralados. Têm medo das mulheres em geral, e das eleitoras em particular. Sabem que a metade de seu eleitorado é constituído de mulheres e que sua futura eleição depende desses eleitores. Apenas um deputado ousou brincar no estilo grosseiro, chulo, pesado, próprio aos homens do século 19: "Michle Alliot-Marie pode não ser nenhum Himalaia de inteligência, mas mesmo assim tem culhões!.(declaração prudentemente anônima).
Outro, menos vulgar, disse: "O que há de mais de terrível, é que o relatório do IDEM, ainda hoje, mostra que as mulheres vivem cada vez mais. Têm agora, na França, uma expectativa de vida de 82,2 anos. Imaginem só: 82,2 anos!

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