Brasília, 12 (AE) - O clima esquentou hoje durante reunião do colégio de líderes de partidos na Câmara para a busca de entendimento em torno da pauta da convocação extraordinária. Os deputados trocaram farpas e alguns chegaram a lembrar da lei de imprensa - em tramitação e ainda não votada - ao reclamarem das críticas que vem sendo feitas sobre a produtividade dos parlamentares durante a primeira semana da convocação. Os líderes acham que injustiças têm sido cometidas e reclamam das notícias de que estão recebendo R$ 16 mil pela atividade extra sem trabalhar.
"Todos os líderes estão reclamando do posicionamento da imprensa, mas eu, pessoalmente, não me surpreendo", afirmou o líder do PMDB, deputado Geddel Vieira Lima (BA), um dos presentes a falar da lei de imprensa. "Levantei (durante o encontro) o que já tinha tido antes; que ninguém discute o assunto", afirmou. "Falei, como constatação apenas, que a Casa permanentemente se acovarda em relação à lei de imprensa."
O líder do PPB, Odelmo Leão (MG), disse que não defendeu sua votação como represália às críticas ao trabalho na convocação. "Eu disse apenas que há uma lei a ser discutida, mas não defendi sua votação", ressaltou. "Foi força de expressão", disse Leão.
Embora apenas Geddel e Leão tenham lembrado da existência da lei de imprensa, a reclamação foi generalizada. "Cada um fez uma introdução de que havia injustiças", contou o presidente da Câmara. "A resposta para isso é votar as matérias importantes, e estamos fazendo isso", sustentou Michel Temer. O líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira lembrou que os deputados estavam chateados por causa de interpretações equivocadas. "Nos primeiros dias da convocação, na semana passada, não podia ter ordem do dia, ou seja, não tem votação", explicou.
"Já tínhamos avisado que a votação só teria início mesmo no dia 11", explicou Madeira. A convocação teve início na quarta-feira passada e, segundo o regimento interno, não pode haver sessão deliberativa no dia subsequente à reabertura dos trabalhos.
Durante a reunião, o líder do PT, José Genoíno, acusou o governo de só estar interessado em votar a Desvinculação de Receitas da União na convocação extraordinária. "Depois disso, acabou a convocação", afirmou. "Dos 52 itens na pauta, mesmo que a gente vote 10, vão dizer que não trabalhamos o suficiente", afirmou, ainda, o líder petista. Líder do PSDB, Aécio Neves, retrucou, garantindo que o governo vai cumprir a pauta normalmente.
Quando o assunto foi a proposta de regulamentação das medidas provisórias, Genoíno disse que só faria acordo se fosse votado o texto atual, que restringe a edição de MPs. Como o governo pretende alterar o texto já aprovado no Senado, não houve acordo com o PT. Genoíno fez, então, nova provocação, lembrando que o então senador Fernando Henrique Cardoso defendia a limitação das MPs. "Você também já pegou em armas e não pega mais", respondeu o líder Arnaldo Madeira, referindo-se à mudança de posição do líder petista. "Mas uns mudam para melhor e outros para pior", continuou Genoíno, que saiu mais cedo da reunião.

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