Lei de genéricos pode causar confusão
São Paulo, 03 (AE) - A adaptação do mercado à lei dos genéricos deverá causar confusão para os consumidores. Remédios já existentes, mas com embalagens diferentes, deverão chegar às farmácias do País a partir do fim do ano - o que significa que haverá dois invólucros para um mesmo produto. "São muitas variações de um mesmo medicamento", explicou a diretora técnica da Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais (Alanac), Sara Kanter. "O consumidor pode achar que está comprando um produto falso."
A lei determina que o nome da substância ativa apareça com destaque na embalagem. Ele não pode ser menor do que 50% do tamanho do nome do remédio de marca. Essa medida deu o prazo de quatro meses para as novas embalagens chegarem ao mercado. No entanto, um medicamento dura, em média, quatro anos nas prateleiras das farmácias. Remédios produzidos com a embalagem antiga ainda estarão, portanto, à venda nas farmácias durante esse período, enquanto os novos invólucros estarão também chegando.
Para facilitar o processo de adaptação, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVS) prepara uma campanha para explicar as mudanças nas embalagens. Ela deverá ser lançada em dezembro.
Em vigor desde agosto deste ano, a lei dos genéricos tem como objetivo reduzir o preço dos remédios no País em 40%. Com a presença de genéricos no mercado, o consumidor poderá optar por produtos mais baratos que têm a mesma eficiência que outros de marca, mais caros. Não há hoje genéricos no mercado.
Segundo Gonzalo Vecina Neto, diretor-presidente da ANVS, em quatro anos, o mercado terá apenas três tipos de remédios: os de marca, os similares (cópia de um produto de marca), e os genéricos. "É inevitável um período de adaptação", disse. "O consumidor terá de conviver com as várias embalagens."
A Portaria nº 802, de 1998, também determinou mudanças nas embalagens. Na época, a preocupação do governo era a de dificultar falsificações. Por isso, a portaria determinou novas formas para evitar esse problema, criando embalagens com hologramas e lacres especiais. A portaria estipulou que essas alterações ocorreriam até outubro. Essa será mais uma mudança nas embalagens a que o consumidor terá de se adaptar. "Com tanta embalagem diferente, o consumidor ficará perdido", disse Sara.





