Lei contra fumo provoca polêmica
O rigoroso projeto de lei contra os fumantes enviado pelo ministro da Saúde, José Serra, ao Congresso Nacional, já está causando polêmica entre proprietários de estabelecimentos comerciais, os maiores prejudicados economicamente caso a lei seja aprovada, e até mesmo entre os médicos. O usuário não deveria ser diretamente penalizado, mas sim a indústria, afirmou o especialista em epidemiologia do câncer, Sérgio Koifman.
O projeto de lei prevê que os restaurantes disponham de áreas fisicamente separadas para fumantes e não-fumantes e não mais uma divisão imaginária como ocorre atualmente. Ficaria totalmente proibido fumar em recintos coletivos públicos ou privados. Pela proposta do governo, também seria totalmente proibido fumar em viagens de ônibus e aviões, independente do tempo do trajeto.
Entre os proprietários de estabelecimentos comerciais e os donos de bares e restaurantes as opiniões também são contraditórias. Um dos sócios da churrascaria Plataforma, Alberico Campana, disse que não se opõe à lei que, se for aprovada, dará um prazo de 90 dias aos donos de bares e restaurantes para isolarem suas áreas de fumantes. Não me incomodo, já fiz uma obra para isolar uma área e, além disso, constato que o número de fumantes é cada vez menor, afirmou.
Já o diretor da Associação Brasileira de Entidades de Hospedaria, Gastronomia e Turismo (Abresi), Antônio Conde, é totalmente contrário à lei. Construir paredes em restaurantes para isolar a área de fumantes é um custo muito alto, que nem todos podem ter, afirmou. Acho uma discriminação aos fumantes. Para ele, a lei seria prejudicial para o turismo. A maioria dos europeus fuma, lembrou. Segundo ele, a melhor solução seria a instalação de potentes exaustores de fumaça.
A posição do Sindicato dos Bares e Restaurantes é diferente. Para o sindicato, o dono do restaurante deveria indicar se o lugar aceita ou não fumantes. Ficaria a cargo do freguês frequentar ou não o local.
De acordo com as últimas estatísticas divulgadas no 17º Congresso Internacional de Câncer, que está sendo realizado no Riocentro, no Rio, 50% das pessoas que fumam morrem de algum tipo de câncer provocado pelo tabagismo. O problema é que fumar tornou-se uma coisa tão comum que é difícil acreditar nos riscos, afirmou o especialista inglês Richard Peto, do Centro de Pesquisas Epidemiológicas de Oxford. Segundo pesquisas recentes, somente este ano, quatro milhões de pessoas morrerão em função do tabaco, o que representa 10% de todas as mortes registradas.Raimundo Valentim/AECongresso InternacionalO médico Richard Doll, o primeiro a mostrar ligação do cigarro com o câncer de pulmão, fala no RiocentroAgência Estado





