Santiago de Chile - Duas prisioneiras chilenas que participam de uma bem-sucedida peça teatral não poderão se apresentar no Festival Internacional de Londrina porque a legislação as proíbe de sair do país.
‘‘Como podemos falar de reabilitação e de reinserção trabalhista?’’, questionou ontem, no jornal ‘‘El Mercurio’’, Jacqueline Roumeau, produtora e diretora da obra ‘‘Pabellón 2: rematadas’’, que desde 1999 foi vista por mais de 10.000 pessoas e aplaudida pela crítica no Chile.
‘‘Pabellón 2: rematadas’’ foi convidada a participar do Festival Internacional de Teatro da cidade de Londrina, em maio, e não poderá ser apresentada porque duas protagonistas ainda não terminaram de cumprir suas penas e só receberam o benefício de liberdade dominical, como prêmio por seu bom comportamento. Em nível oficial, a peça teatral foi apresentada como um exemplo de reabilitação para presos.
A peça é protagonizada por cinco mulheres condenadas por delitos ligados ao narcotráfico no presídio da cidade de Antofagasta, das quais três cumpriram suas penas e não têm problemas para viajar.
Atualmente é apresentada em Santiago ‘‘Colina I, Tierra de Nadie’’, uma montagem sobre a vida na prisão, protagonizada por seis presos, também uma iniciativa de Jacqueline Roumeau. Para final de maio, e com o respaldo institucional da Guarda de prisões, está programado o Primeiro Festival chileno de Teatro Carcerário.
‘‘Infelizmente, dadas as condições processuais das internas, ela não podem viajar para fora do país; legalmente têm que cumprir suas penas no Chile’’, explicou o diretor da Guarda, Hugo Espinoza. Ele acrescentou que as detentas não podem sair do Chile ‘‘nem sequer acompanhadas por funcionários do serviço’’, como aconteceu quando levaram a peça a diferentes cidades chilenas.
Na opinião de Jacqueline Roumeau, o Governo chileno ‘‘não teve visão’’ nesse caso. Ela inclusive enviou uma solicitação ao presidente Ricardo Lagos, mas não teve resposta.
‘‘Acho que ele (Lagos) tem que tomar partido no assunto. Se o fizer, o Chile seria um país pioneiro’’, acrescentou a diretora teatral, que viajará a Londrina no dia 7 de maio, pois além do festival foi convidada a dirigir uma oficina de Teatro Testemunhal em uma prisão de mulheres dessa cidade brasileira.

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