Quase seis meses depois de entrar em vigor a lei que proibiu o fumo em locais públicos no Paraná o cenário mudou: ficou mais difícil fumar. Em bares e restaurantes de Londrina, por exemplo, quem quer acender o cigarro precisa sair dos ambientes, que ficaram livres da fumaça. O benefício é principalmente para os fumantes passivos, que também sofrem os efeitos do tabaco. ''Mas faltaram campanhas de conscientização para incentivar quem fuma a largar o cigarro''. A avaliação é do cardiologista Willyan Nazima, especialista em tratamento de tabagismo pela Association for the Treatment of Tobacco Use and Dependence (ATTUD), associação de combate ao tabagismo nos Estados Unidos ligada à Clínica Mayo.
No Paraná, a lei foi instituída em setembro e entrou em vigor em novembro. A expectativa, segundo Nazima, é que, a exemplo de outros locais do mundo, o número de pessoas com doenças decorrentes do tabaco, principalmente cardiovasculares e câncer, diminua. Ele cita os Estados Unidos, onde a lei que restringiu o uso de cigarro em locais públicos tem quase oito anos em alguns estados, como exemplo. Em Nova York, a prevalência de tabagistas de 2002 para 2003 diminuiu de 21,6% para 19,3%, e o número de ataques cardíacos também caiu. ''10% pararam de fumar nesse ano, uma taxa acima do esperado. Em Piemonte, na Itália, a ocorrência de infarto diminuiu 11%'', relata.
O empecilho criado com a lei, avalia Nazima, aumenta a chance do tabagista parar de fumar, ou de, pelo menos, se sentir motivado a isso, ou ainda a fumar menos. Mas, se a dificuldade de fumar nesses locais aumentou, cabe outra questão: será que essas pessoas não passaram a fumar mais dentro de casa? É por isso, diz o especialista, que é preciso conscientizar quem fuma sobre prejuízos a si mesmo e a quem está perto. ''As leis são boas, mas a gente percebe que as pessoas não entenderam bem porque não podem fumar em determinados ambientes, que o cigarro faz mal para ele e para as pessoas próximas'', diz, lembrando que consumo dentro de casa significa expor familiares e amigos.
Um estudo feito na China, e publicado em 2006, com mais de 72 mil esposas de fumantes, mostrou que a mortalidade era 15% maior neste grupo comparado com quem não convivia com fumantes, e o número de mortes 37% maior por doenças cardiovasculares. ''Só com o cônjuge fumando''.
Fumantes passivos também têm chance 79% maior de morrer por câncer de pulmão. Trabalhadores de bares e restaurantes, como os garçons, que tinham exposição frequente à fumaça, aponta o médico, tinham o mesmo risco de infarto de uma pessoa que fuma cinco cigarros por dia. ''Eles foram realmente os maiores beneficiados com essa lei'', avalia.
Tem ainda um outro lado: a imagem de que, quando se para de fumar, os problemas estão resolvidos. ''Não. A pessoa que fuma precisa ser acompanhada pelo resto da vida'', alerta.

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