Legista nega ter sido pressionado para forjar laudo de PC
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segunda-feira, 12 de abril de 1999
Por Ricardo Rodrigues (especial para a AE) 
Maceió, 13 (AE) - O médico legista Gérson Odilon negou hoje ter recebido pressões do ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas, coronel José de Azevedo Amaral, para forjar o laudo das mortes do empresário Paulo César Farias, o PC, e da namorada dele, Suzana Marcolino, encontrados mortos em 23 de junho de 1996. Segundo Odilon, os 11 peritos que trabalharam no caso assinaram o laudo de comum acordo com Palhares. "Para coagir, tinha de coagir todos", afirmou.
Odilon disse que continua concordando com o laudo de Palhares, que chegou à mesma conclusão de crime passional, defendida pela polícia alagoana. Para Odilon, até agora, nenhum outro laudo conseguiu desmontar a tese de homicídio seguido de suicídio. Segundo o legista alagoano, que é professor de Ética do curso de Medicina Legal da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e faz parte do Conselho Regional de Medicina (CRM), a diferença de altura de Suzana é irrelevante.
"Se ela tinha alguns centímetros a mais ou a menos, não muda nada porque a postura dela, sentada na cama, poderia compensar essa diferença", afirmou Odilon.
Segundo ele, em nenhum momento, essa questão da altura chegou a ser um ponto de discórdia entre os peritos que trabalharam com Palhares. "A única coisa que fiquei chateado com Palhares foi o fato de ele ter insinuado que as informações e as fotos sobre o laudo tinham vazado em Alagoas", concluiu.
O promotor Luiz Vasconcelos, que está à frente do caso, disse que, em nenhum momento, Odilon lhe confidenciou que tivesse sido pressionado para assinar o laudo de Palhares. "Não sei de onde tiraram isso, mas não é verdade", garantiu Vasconcelos. Segundo ele, a morte do ex-segurança de PC, o sargento da Polícia Militar Rinaldo Correia, não muda em nada a linha de investigação que ele traçou para essa nova fase de investigação.
"Minha preocupação é com os laudos, se são conflituosos ou não", afirmou o promotor. "O depoimento que eu tenho do sargento Rinaldo consta apenas que ele era contratado ocasionalmente para trabalhar como seguranças dos filhos de PC"
completou Vasconcelos, acrescentando, porém, que o militar disse, em depoimento, ter visto o decorador Gílson Lima da Silva com o empresário no dia do crime.


