Campinas, SP, 25 (AE) - O legista Nelson Massini, professor- adjunto do Departamento de Medicina Legal da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), disse hoje que as novas investigações sobre as mortes do empresário Paulo César Farias, o PC, e da namorada dele, Suzana Marcolino da Silva, estão caminhando para um desfecho rápido. Segundo ele, do ponto de vista pericial, a Justiça dispõe de elementos suficientes para invalidar a versão de que Suzana teria assassinado PC com um tiro e depois cometido suicídio.
Massini visitou hoje o Departamento de Medicina Legal (DML) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo. Ontem (24), a unidade divulgou um novo laudo, afirmando que Suzana media entre 1,53 metro a 1,57 metro e não 1,67 metro, como sustentava a versão anterior, assinada pelo legista Fortunato Badan Palhares, ex-diretor da unidade. A mudança na estatura de Suzana invalida a tese de homicídio seguido de suicídio.
"Desde o início, sempre acreditamos em duplo homicídio", disse Massini, que chegou a trabalhar no DML da Unicamp, mas pediu demissão em 1993, em razão das constantes divergências com Palhares. "As investigações que estão sendo realizadas agora já deveriam ter sido feitas na época do crime"
afirmou. Segundo ele, porém, o caso deverá ser esclarecido nas próximas semanas, "ainda que com três anos de atraso".
Para o legista, muitos depoimentos que não foram realizados na época das mortes, agora, poderão esclarecer melhor o caso. "Sempre trabalhamos com a hipótese de que o crime estaria relacionado às pessoas que estavam no local naquele momento", disse Massini. Por isso, segundo ele, um dos dados mais importantes seria a definição da hora exata em que PC e Suzana morreram.
Massini acredita que o fato de a Unicamp ter divulgado um novo laudo três anos depois, contrariando o documento anterior, assinado por perito que faz parte do corpo de docentes
não afeta a credibilidade da instituição. "Muito pelo contrário; isso mostra que a universidade é séria e está em busca da verdade", afirmou. Para ele, a responsabilidade pelo laudo anterior é de Palhares e não da universidade.
Apesar da dificuldade de relacionamento, Massini diz que não tem nada pessoal contra Palhares. "Não somos desafetos, como costumam dizer", garante. Para Massini, o que há entre os dois são apenas divergências ideológicas. Hoje, porém, antes de deixar o DML da Unicamp, o legista pediu a um funcionário para retirar o seu retrato, que estava ao lado do de Palhares, no auditório da unidade. Palhares não foi localizado hoje.

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