Brasília, 28 (AE) - A maioria dos 215 deputados que não se reelegeram nem se deu ao trabalho de comparecer hoje à sessão de encerramento da 50ª Legislatura. Os discursos de despedida não empolgaram mais que um dúzia de políticos. A despedida mais concorrida, presenciada por cerca de cem pessoas, foi a do deputado Roberto Campos (PPB-RJ), que encerrou o seu segundo mandato consecutivo.
Campos, que em seu discurso citou trechos de "Os Sermäes", de Padre Antônio Vieira, foi aplaudido de pé e respondeu a um elogio do líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE), com uma observação que causou gargalhadas. "Tenho grande admiração pelo senhor, que chamo de animal de plenário, coisa que não sou porque falta-me a rapidez de raciocínio necessária nos embates de plenário e a voz tonitruante que às vezes se faz necessária para acalmar paixäes e abrir caminhos", disse.
No meio da tarde, a Câmara realizou uma homenagem póstuma aos 14 deputados mortos nesta legislatura. O deputado Arnaldo Faria de Sá (PPB-SP) fez um discurso emocionado, lembrando parlamentares como o ex-líder do governo na Casa Luis Eduardo Magalhães (PFL-BA), morto em abril do ano passado, e a deputada Ceci Cunha (PSDB-AL), assassinada em dezembro em Maceió.
Jarbas Lima (PPB-RS) comemorou que, em 24 anos no Congresso não sucumbiu ao "canto da sereia neoliberal". "Saio do Congresso como voltei, com os mesmos ideais, chamem de ultrapassados ou não".
A maior parte dos políticos reeleitos - no total foram 298 -, fugiu de Brasília, antecipando o descanso rápido antes do início da autoconvocação, que inicia imediatamente após a posse, no dia primeiro.
"É o tempo de ir em casa, comemorar a legislatura de sucesso e voltar ao trabalho com missäes duras pela frente", considerou o líder do PMDB, Geddel Vieira Lima (BA), que volta para sua terceira legislatura. Missäes duras são a conclusão do programa de estabilidade fiscal e a discussão de temas como a reforma tributária e política, prioridades do governo federal.
Para o deputado Almino Affonso (PSB-SP) - que foi candidato a vice-governador do ex-candidato ao governo do Estado de São Paulo Francisco Rossi (PDT) -, essa legislatura em que ele não pôde se recandidatar ao parlamento, pode ser apenas "uma pausa". "Vou ter saudades de Brasília", disse.

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