Desde que a Lei do Desarmamento entrou em vigor, em dezembro do ano passado, o setor de venda de armas acumula prejuízos. Crise agravada pela negativa da Polícia Federal em emitir o porte, por falta de regulamentação de alguns artigos específicos, e pelo preço do documento, algo em torno de R$ 500,00. Mesmo com liminares na Justiça interpostas pelas lojas para que a PF realize o serviço, a emissão também está parada devido à greve dos agentes que já dura quase um mês.
Em Londrina, os estabelecimentos que comercializam revólveres, rifles e pistolas perderam clientes. Uma dessas lojas, só não está pior porque também vende material de pesca. ''A nossa sorte é que só vendemos por encomenda, por isso não temos estoque'', comenta o vendedor Ovídio Leme de Morais.
Já a loja Nick Armas, no Catuaí Shopping Center, está prestes a fechar as portas. Reduziu de cinco para dois funcionários e ainda não vendeu nenhuma unidade este ano. O caixa só não fica completamente vazio graças à venda de objetos de decoração e um pouco de munição, mesmo assim de forma controlada. ''São 14 anos jogados fora. Vou parar. Só aguento até o final desse mês'', desabafa Carlos Sanches, 42 anos, dono do estabelecimento com 60 armas no estoque.
Carlos Sanches revela o que pode estar acontecendo com a paralisação dos portes de arma. ''As portas estão abertas à entrada de armas clandestinas. Quem precisa da arma, vai comprar uma, do jeito certo ou não. Infelizmente, em algumas situações, ter arma é um mal necessário'', afirma.

mockup