Paris, 02 (AE) - As discriminações e diferenças em termos de emprego, salário, acesso à formação profissional e promoção social entre homens e mulheres não desapareceram na França, revela um estudo encomendado pelo primeiro-ministro francês, Lionel Jospin, à deputada socialista Catherine Genissom, que se dedica há anos aos problemas da igualdade entre homens e mulheres, principalmente no campo do trabalho.
As diferenças persistem, apesar da existência de uma legislação estabelecendo o princípio geral da não-discriminação, que entrou em vigor em 1983. Trata-se da chamada Lei Roudy - nome de sua autora, a ex-ministra dos Direitos da Mulher Yvete Roudy.
A igualdade em matéria salarial é prevista na França por uma lei ainda mais antiga, de 1972, mas na prática as coisas ocorrem de forma diversa.
A diferença salarial entre homens e mulheres no campo do trabalho na França é ainda da ordem de 27%, segundo o estudo feito pela parlamentar. Um levantamento efetuado com as 5 mil principais empresas francesas revela que as mulheres ocupam apenas 7% de seus quadros dirigentes.
Hoje, na França, as mulheres são fortemente representadas no mundo do trabalho. Entre 25 e 55 anos, pelo menos 80% delas têm emprego. Mesmo entre as mães de dois e três filhos, pelo menos 55% mantêm sua atividade profissional.
As mulheres que trabalham na França continuam exercendo 80% das atividades domésticas e também aquelas relacionadas a alimentação, saúde e educação dos filhos.
As mulheres encabeçam também as estatísticas relacionadas a baixos salários. Oitenta por cento dos assalariados que recebiam em 1997 salários líquidos de apenas 3,6 mil francos (cerca de US$ 700) eram do sexo feminino -, pois muitas mulheres optaram também pelo trabalho parcial ou de meio período para poder dar conta dos afazeres domésticos.
Também no funcionalismo público - mesmo sendo hoje em dia mais contratadas do que os homens - as mulheres são minoria quando se trata de assumir altos cargos.
Inúmeras carreiras profissionais permanecem proibitivas para as mulheres. Elas se concentram sobre profissões que representam menos de um terço dos empregos, não se constatando uma grande evolução nos últimos 15 anos. Em todos esses anos foram pouco numerosos os planos destinados a corrigir essas distorções e desigualdades entre homens e mulheres no mundo do trabalho.
Yvete Roudy, autora da primeira lei antidiscriminação, quando era ministra dos Direitos da Mulher, criticou a indiferença dos poderes públicos, sindicatos e diretores de empresas. E reconheceu ter sido ingênua quando redigiu a lei. Por isso, ela defende hoje a aplicação de sanções para os que não cumprem à risca os dispositivos legais.
No plano político e administrativo, entretanto, Jospin vem procurando destacar cada vez mais a presença da mulher, como se estivesse dando o exemplo aos demais setores governamentais.
Diversos de seus principais colaboradores são do sexo feminino. Quatro ministérios importantes - Justiça, Negócios Sociais e Previdência, Meio Ambiente e Educação Primária - são ocupados por mulheres.

mockup