Curitiba - A costa paranaense recebe todos os anos milhares de animais que migram de outras regiões em busca de abrigo e alimento, fugindo do inverno rigoroso. Mas no Estado pinguins, albatrozes, lobos e leões marinhos ficam à mercê da sorte. Quando se ferem ou se contaminam com petróleo, o que vem sendo cada vez mais comum, acabam morrendo sem atendimento. A mais recente vítima foi um lobo marinho recolhido na terça-feira da semana passada na praia de Shangrilá, em Pontal do Paraná. Ele foi levado para o Centro de Estudos do Mar, mas acabou morrendo, no último sábado, por falta de medicamentos e de condições para atendimento.
Débora Cristina Pelim Lima estava caminhando na praia bem cedo quando encontrou o lobo marinho. Depois de insistir muito, conseguiu que o Ibama viesse buscar o animal, que foi deixado no Centro de Estudos do Mar por volta das 15 horas. No sábado, quando o marido de Débora, Eduardo Lima, foi visitar o lobo marinho, o animal já estava agonizando. Eduardo conta que ficou chocado ao perceber que o bicho estava morrendo por falta de atendimento. ''Ele foi atendido com muita boa vontade por um veterinário voluntário, mas não havia nem medicamentos para tratar um ferimento na boca do animal. Saí para comprar o remédio e quando voltei já era tarde'', lamenta.
O pesquisador Ricardo Krul confirma que o Centro não possui infra-estrura para atender esses bichos, mas diz que a equipe está buscando patrocínio para desenvolver um projeto neste sentido. Ele explica que o litoral do Paraná recebe, durante o inverno, pinguins, albatrozes, lobos e leões marinhos vindos das médias e altas latitudes do Hemisfério Sul, ou seja, basicamente do sul da Argentina, na Patagônia. Durante o verão, a costa paranaense recebe aves que migram do Hemisfério Norte, também fugindo do inverno rigoroso e buscando águas mais quentes no sul do Brasil. ''Nosso Litoral é fundamental para essas espécies. No entanto, aqui muitos ficam expostos à contaminação por petróleo e não têm onde ser atendidos adequadamente'', diz.
Os pequenos vazamentos de petróleo são a maior causa de mortandade de animais, especialmente de pinguins que, por não voar, ficam a maior parte do tempo na água e procuram as manchas de óleo achando que são cardumes de peixes. Metade dos pinguins encontrados na costa apresenta manchas de petróleo, segundo Krul. ''É um problema ambiental crônico'', afirma. Num trecho de oito quilômetros de praia, monitorado pelo Centro de Estudos do Mar, numa só caminhada, foram encontrados 180 pinguins mortos. O centro também tem recebido informações de que muitos pinguins e lobos marinhos aparecem mortos próximo ao canal de acesso ao Porto de Paranaguá.
Ricardo Krul trabalha há dez anos no centro, sem vínculo empregatício com a Universidade Federal do Paraná (UFPR). No total, são cerca de 100 pesquisadores que atuam no centro, mas apenas 10% são professores da UFPR. Os empresários interessados em patrocinar o projeto de atendimento aos animais migratórios, ou mesmo pessoas que queiram fazer doações ao Centro de Estudos do Mar, podem entrar em contato pelo telefone (0xx41) 455-1333.

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