Agência Estado
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LembrançaSoldado do Exército fotografa bombeiros e índios confraternizados após o fim do incêndio em RoraimaO ‘Le Monde’, de Paris, o mais influente jornal francês, dedicou a manchete da edição de ontem ao risco corrido por tribos indígenas de Roraima de passarem fome, devido aos incêndios na floresta amazônica. O jornal também fez, em editorial, severas críticas ao presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso. Reportagem sobre o assunto é estampada na página 2, o espaço mais nobre ocupado pelo noticiário internacional.
O ‘Le Monde’’ demonstra preocupação com a situação dos índios ianomâmis, cujas plantações, segundo seu enviado especial a Roraima, foram devastadas pelas secas e incêndios na região.
O jornal afirma que os incêndios se propagaram em razão de duas políticas: a de colonização da Amazônia, elaborada pelos governos militares, e a de reforma agrária, aplicada pelo governo FHC na região. Segundo o jornal francês, o atual governo, até o momento, contentou-se em seguir a política amazônica dos governos militares. Os militares, afirma o jornal, incentivaram a colonização da região por questões de segurança nacional e a usaram para assentar sem-terra com o propósito de amenizar conflitos agrários em outros locais.
A reportagem também descreve os atuais conflitos pela terra observados na Amazônia e critica o governo federal por sua atuação nessa área. ‘Refém de uma coalizão dominada por partidos de direita, (FHC) não pode se permitir contrariar os interesses dos latifundiários do Sul e do Nordeste’’. As críticas a FHC são mais enfáticas no editorial. ‘Outrora ‘homem de esquerda’ e sociólogo de renome internacional, (FHC) não cita a Amazônia senão para exprimir sua impotência frente aos saques em curso. Durante seu mandato, 47.220 km quadrados de florestas foram riscados do mapa. Apesar de suas atividades ilegais (...), denunciadas por diversa ONGs, companhias asiáticas se instalam em massa na Amazônia com a bênção do governo.’’
Avaliação contestada O secretário estadual de Planejamento de Roraima, César Mansoldo, contestou a avaliação do funcionário da ONU sobre os danos causados à floresta pelo incêndio.. Mansoldo disse que os dados do governo estadual ainda estão sendo levantados. ‘‘O levantamento envolve os danos resultantes da estiagem e do fogo’’, disse.
Segundo o secretário, não foram fechados os dados que envolvem as comunidades indígenas e de colonos. A partir desses dados é que poderão ser estabelecidas ações efetivas na região. ‘‘É prematuro avaliar dados que ainda estão sendo compilados’’.

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