LC Barros critica política econômica, pede mudanças e diz que FHC everia "assumir derrota parcial do real"
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quinta-feira, 05 de agosto de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 06 (AE) - Pela primeira vez desde que deixou o governo, o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, que é membro da Executiva do PSDB, expôs publicamente suas divergências com a atual equipe econômica. Qualificando de "burocratas" os atuais membros da equipe, ele disse que são pessoas que não têm sensibilidade em relação à economia real e com os problemas microeconômicos. "Prevalece a lógica quantitativa e financeira na questão fiscal", afirmou. Mendonça de Barros sugeriu ao presidente Fernando Henrique Cardoso que faça mudanças na condução da política econômica que evitariam uma crise "muito séria" no futuro.
De acordo com Mendonça de Barros, o presidente FFC deveria "assumir essa derrota parcial do real", propondo mudanças que introduzissem dentro da equipe uma pessoa sintonizada com os problemas da economia real. "Sem esse parâmetro de análise do governo, corremos o risco de que as decisões do governo só piorem os problemas que eles querem resolver", afirmou. Sem explicar bem o que estava sugerindo, LC Barros, que é membro da Executiva Nacional do PSDB e o responsável pela formulação econômica do partido em nível nacional, disse também que o atual sistema cambial é "insustentável" pela lógica do novo paradigma mundial que seria o da moeda única. De acordo com ele, daqui a dez anos, o mundo todo trabalhará com uma única moeda e a criação do euro é o primeiro indicativo desta tendência.
Ele não explicou, no entanto, durante palestra feita em seminário promovido pelo banco Pactual, se estava propondo a adoção do currency board, proposta que ele nunca chegou a sugerir. Segundo o ex-ministro, o maior erro do presidente FHC é hesitar "em relação ao objetivo inicial do real, que era sair da hiperinflação, atingir o equilíbrio fiscal e voltar a crescer".


