Tanto no Centro quanto nos bairros, o cantarolar das ''pedras'' atrai cada vez mais jogadores, estimulados não pelo vício no jogo mas pela aventura simples de se lançar à própria sorte e, quem sabe, ganhar, sem se importar com o prêmio em disputa. Ou seja, a diversão vem antes da ganância.
Apreciador de bingo há décadas, um homem critica que o bingo à moda antiga ''não tem razão de ser proibido'' porque, além de ser uma forma de lazer, joga quem quer. Vizinho do bar e com fama de pé-quente, ele diz que não joga pensando no prêmio mas confessa que já chegou a ganhar ''R$ 100,00, até R$ 150,00''. ''É muito bom. Passa o tempo e dá até para tomar uma cervejinha'', brinca.
''A gente vem aqui para distrair a cabeça e passar o tempo'', afirmam as amigas de longa data, uma de 74 e outra de 84 anos. Ex-frequentadoras dos bingões, elas confessam que preferem mesmo o bingo tradicional. ''Íamos muito pouco porque eles cantavam (os números) muito rápido e a gente não ouvia direito. Aqui não, é bem mais tranquilo'', explica uma delas.
As senhoras lembram que aprenderam a jogar o bingo ainda ''jovenzinhas'', em família. Hoje, vêem com satisfação a velha diversão sendo retomada. ''O ambiente é ótimo, cheio de gente amiga'', falam. Os maridos, enquanto isso, ''ficam em casa assistindo TV''.
As duas amigas garantem que essa modalidade de bingo não deixa ninguém endividado nem há riscos da diversão trazer problemas financeiros. ''Que nada, a gente vem de sexta e domingo e gastamos, no máximo, R$ 10,00.'' (L.A.)

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