Lavradores vão mobilizar 20 mil no Grito da Terra
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terça-feira, 01 de abril de 1997
Vânia Casado Sucursal de Curitiba 
Cerca de 20 mil trabalhadores rurais no Paraná deverão ser mobilizados pelo movimento Grito da Terra 97, que prevê a instalação de acampamentos em várias regiões do Estado e atos públicos a partir do dia 5 de maio. A mobilização está sendo articulada pela CUT, Fetaep, MST, CRABI e CPT, que pretendem apresentar uma pauta de reivindicações ao governador Jaime Lerner. Um dos coordenadores do movimento, Marcos Rochinski, afirmou que não está descartada a ocupação de bancos e prédios públicos, se isso for necessário para a aprovação das reivindicações.
O Grito da Terra 97, versão estadual, vai reforçar as reivindicações que estão sendo feitas em nível nacional, que é a eliminação da taxa de juros para o financiamento da agricultura familiar. No Paraná, as lideranças dos trabalhadores rurais pretendem a equalização das taxas de juros nos financimentos do Banestado, o retorno do pagamento em equivalência-produto, similar ao programa Panela Cheia, e a instalação de um Fundo de Aval para desburocratizar o crédito. Rochinski argumenta que o Pronaf exige um excesso de garantias, que muitas vezes os trabalhadores rurais não têm condições de cumprir.
As mobilizações serão feitas em todo o Estado, principalmente no Sudoeste, Centro, Centro-Sul e Oeste, onde predomina a agricultura familiar. Nessas regiões, os organizadores do movimento têm mais facilidade de arregimentar trabalhadores rurais, justificou Rochinski. Ele acredita que pelo menos 50% dos trabalhadores envolvidos no movimento, em torno de dez mil pessoas deverão ficar acampadas. Os acampamentos serão montados, em caráter permanente, em praças públicas, beira de estradas ou até fazendas.
O líder não descartou a instalação de um grande acampamento em Curitiba, dependendo da evolução das negociações. O objetivo é alertar toda a sociedade para a importância de privilegiar a agricultura familiar, que é responsável pela produção de 80% dos alimentos que compõem a cesta básica. A argumentação será de que a solução da crise econômica passa pela organização da agricultura familiar, que gera renda e emprego nas cidades, afirmou Antonio Zarantonello, presidente da Fetaep.


